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Temporal em Ubá/MG:“Foi um milagre, minha fé me salvou”, diz sobrevivente

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Reprodução / Redes Sociais
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Por Cristiano Stefenoni

“Eu dei tudo o que eu tinha e o que Deus me deu para sobreviver. Foi um milagre, minha fé me salvou”. A frase dita por Edna Almeida Silva, de 56 anos, resume as três horas em que ela permaneceu agarrada a um poste, no Centro de Ubá, durante a maior inundação registrada na cidade nos últimos anos.

Moradora da Rua Camilo dos Santos, onde mantinha a casa e um restaurante, Edna viu a rotina ser engolida pela água na noite de segunda-feira (23). A chuva começou fraca, mas ganhou intensidade até que o rio nos fundos da residência transbordou. Em poucas horas, o que era rua virou correnteza. Em entrevista ao G1, ela contou que acordou o namorado, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, e o filho de 31, e todos tentaram salvar os carros. Não houve tempo.

Quando a enxurrada invadiu o imóvel, Edna foi arrastada. Sem saber nadar, submersa, fez uma oração simples e urgente, pedindo para não morrer afogada. “Não tive tempo de raciocinar. A água subindo, subindo, subindo. E então deu aquele estrondo, e parecia que a água fez um redemoinho e me derrubou. Fiquei submersa. Eu não sei nadar, não sei sair da água. A única coisa que me veio à mente foi pedir: ‘Senhor, não me deixe morrer afogada’”, contou.

As mãos tocaram algo arredondado. Era um poste. Ela o abraçou como quem segura a própria promessa de continuar viva. Subiu o quanto pôde, apoiando-se em entulhos que a água trazia, mantendo o rosto fora d’água enquanto repetia pedidos de socorro e de fé.

Da sacada de uma casa vizinha veio a primeira resposta. Um morador gritou que ela não seria levada. Depois, uma corda foi lançada. Entre o cansaço e a insistência dos vizinhos para que tivesse paciência, Edna resistiu até sentir os pés tocarem o chão. Eram 5h20 quando foi puxada para a segurança de uma janela, sob aplausos de quem acompanhou o drama até o amanhecer.

A sobrevivência, porém, não encerrou a provação. Três dias após a enchente, ela tenta assimilar a destruição da casa e do restaurante, enquanto acompanha as buscas por Luciano, um dos dois desaparecidos no município. O casamento estava marcado para o mês seguinte. Entre lágrimas, Edna diz que, se já viveu um milagre, espera por outro.

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“Eu ainda tenho esperança de encontrar ele (o namorado) em hospital ou outra cidade, não sei. Mas, do jeito que estava a enchente, é só outro milagre”, lamentou Edna, que completou:

“Eu peguei a única cadeira que sobrou, sentei e fiquei olhando. Eu agradecia. ‘Senhor, obrigada por eu e o Bruninho estarmos vivos. Não tenho roupa, não tenho calçado, não tenho telefone, não tenho documento. Só sobrou a minha vida pra recomeçar’”. agradeceu a Deus.

A enchente que devastou Ubá entre a noite de 23 e a madrugada de 24 de fevereiro de 2026 deixou mortos, desaparecidos e centenas de desabrigados e desalojados. Em cerca de três horas e meia, foram registrados aproximadamente 174 milímetros de chuva. O Rio Ubá atingiu 7,82 metros na região central, provocando a maior inundação dos últimos anos, com pontes interditadas, prédios danificados e imóveis destruídos.

Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e das polícias Militar e Civil atuaram em pelo menos 18 ocorrências, entre resgates e salvamentos. Em Minas Gerais, o período chuvoso tem castigado diversas cidades, reacendendo alertas para eventos extremos cada vez mais intensos.

Por Comunhão.

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