Ao confirmar que era filha da vítima, Jennefer foi informada de que a mãe havia sido atropelada e que o corpo estava no Instituto Médico-Legal (IML), no bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte.
O homem disse que trabalhava em uma funerária e se ofereceu para ajudar com a liberação do corpo. Segundo Jennefer, ele também afirmou que o rabecão já havia recolhido a vítima e levado o corpo ao IML.
Abalada, ela foi até o instituto acompanhada por uma psicóloga do trabalho. No caminho, viu uma notícia sobre uma mulher de aproximadamente 50 anos atropelada no Anel Rodoviário. No IML, funcionários confirmaram que o corpo era o da mãe dela.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou um inquérito para apurar o atropelamento. Segundo a corporação, as diligências estão em andamento para identificar o responsável e localizar e ouvir testemunhas que possam contribuir para o esclarecimento do caso.
A PCMG não informou quando o inquérito foi instaurado. A corporação disse que não pode divulgar outras informações neste momento para não comprometer as investigações.
A família, no entanto, afirma que procurou a polícia dias depois da morte e que, inicialmente, não havia inquérito aberto. Segundo Jennefer, as advogadas da família passaram a acompanhar o caso e solicitaram medidas como a busca por imagens de câmeras de segurança.
Os familiares temem que gravações importantes sejam perdidas com o passar do tempo.
“Se não for registrado nas primeiras horas, nos primeiros dias, a gente pode perder as informações e nunca mais achar o responsável”, afirmou Jennefer.
A família também questiona a forma como Jennefer foi informada sobre a morte da mãe. Segundo ela, a primeira informação veio do homem que se apresentou como funcionário de uma funerária.
A PCMG informou que o corpo é encaminhado ao IML para a realização de exames periciais e procedimentos de identificação. Segundo a corporação, o contato com os familiares é feito pelo Serviço Social da instituição, responsável por esse atendimento.
A Polícia Civil afirmou ainda que eventuais denúncias ou reclamações sobre uma possível falha na comunicação à família devem ser formalizadas por meio da Ouvidoria ou da Corregedoria da instituição.
Para Washington Lana, presidente da Comissão de Defesa da Cidadania da OAB-MG, quando a vítima está identificada, a família deve ser comunicada pelo Estado, e não por uma funerária.
Segundo ele, caso seja comprovada uma falha do poder público, a família pode avaliar a possibilidade de buscar indenização.
Lana também afirmou que o motorista que fugiu pode responder pela falta de socorro. Já a definição sobre o crime relacionado à morte depende da investigação das circunstâncias do atropelamento.
A perícia deve avaliar fatores como a velocidade do veículo e se o condutor assumiu o risco de provocar a morte.
Por Luis Gurgel, TV Globo — Belo Horizonte