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17 horas atrásno
Por Cristiano Stefenoni
As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira, especialmente em Juiz de Fora e Ubá, deixaram um rastro de desalojados, perdas materiais e comunidades inteiras em estado de alerta. Em meio ao cenário de lama e reconstrução, igrejas evangélicas se mobilizaram para transformar púlpitos em pontos de coleta e templos em centros de esperança.
A presença das igrejas nas periferias e bairros populares facilita respostas rápidas. Muitas congregações conhecem pelo nome as famílias afetadas, identificam idosos, pessoas com deficiência e crianças em situação de vulnerabilidade. Essa proximidade reduz a burocracia e amplia a eficácia do socorro. Em um cenário em que o poder público atua para restabelecer infraestrutura e segurança, as comunidades de fé funcionam como extensão solidária do cuidado social.
As doações prioritárias incluem água potável, alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal, roupas de cama, cobertores e materiais de limpeza. Contribuições financeiras permitem que as instituições comprem itens conforme a demanda imediata das equipes no campo. Antes de se deslocar, os organizadores recomendam confirmar horários e necessidades específicas junto aos pontos de coleta.
A resposta tem sido ampla e organizada. A Igreja Universal do Reino de Deus, por meio do braço social UniSocial, estruturou pontos de arrecadação em todos os templos de Juiz de Fora e Ubá. Voluntários atuam na triagem de donativos e na distribuição de refeições às famílias afetadas. A mobilização envolve membros locais e coordenação nacional, reforçando a capilaridade da denominação.
A ação humanitária também conta com a atuação da ADRA Brasil, agência ligada à Igreja Adventista. A entidade trabalha com cartão humanitário, espécie de voucher que permite às famílias adquirir itens conforme suas necessidades, além de oferecer assistência técnica em abrigos. Em desastres, esse modelo reduz desperdícios e devolve autonomia às vítimas, permitindo que escolham o que realmente precisam.
A Convenção Batista Mineira centralizou as arrecadações por meio do seu Comitê de Ação Social. A proposta é organizar o fluxo de doações destinadas aos municípios atingidos, evitando sobrecarga em alguns pontos e escassez em outros. A estratégia busca unir igrejas locais sob uma mesma coordenação estadual.
A Igreja do Evangelho Quadrangular em Minas Gerais, através do Conselho Estadual de Diretores e do Instituto Casa da Provisão, também mobilizou suas comunidades. As igrejas locais funcionam como polos de arrecadação. Já a Igreja Metodista, na 4ª Região Eclesiástica, definiu o templo do bairro Bela Aurora, em Juiz de Fora, como ponto oficial de recebimento de donativos.
Outras denominações também se engajaram. A Igreja Renascer em Cristo lançou a campanha “Giro de Solidariedade”, arrecadando roupas e kits de higiene. A Igreja Presbiteriana do Brasil orientou suas comunidades a atuarem por meio dos diaconatos e conselhos locais nas áreas inundadas, utilizando sua rede de igrejas para apoio direto.
A Igreja Cristã Maranata mobilizou voluntários para limpeza de vias e suporte a membros atingidos. Já templos da Assembleia de Deus, em seus ramos como Madureira e Missão, abriram espaços para alojamento temporário e distribuição de marmitex, especialmente em bairros de Juiz de Fora e Ubá.
Em meio à lama que ainda marca ruas e residências, o gesto solidário se torna testemunho silencioso. Quando igrejas transformam estruturas religiosas em centros de socorro, reafirmam que fé e ação caminham juntas. Nas cidades atingidas da Zona da Mata, a reconstrução passa por máquinas, decretos e recursos públicos, mas também por comunidades que decidiram viver, na prática, a ordem de cuidar do próximo.

Por Comunhão.

Sou Silas Rodrigues, o Silas do Blog, fundador deste site, com quase 15 anos de existência. Gleiziane é minha esposa e repórter fotográfica.