Gospel
Pastor critica uso de bateria em igrejas e gera debate sobre louvor pentecostal
O pastor Osiel Gomes, líder da Assembleia de Deus em Tirirical, no Maranhão, tornou-se centro de uma intensa discussão no meio evangélico após declarações contundentes sobre o uso de bateria e ritmos percussivos nos cultos. O posicionamento, registrado em vídeo e amplamente compartilhado nas redes sociais, reacendeu um antigo debate sobre os limites da expressão musical no louvor cristão.
Durante a ministração, o pastor criticou o que chamou de “batuque” dentro das igrejas, referindo-se a padrões rítmicos mais intensos e sincopados, comuns em determinados estilos contemporâneos de adoração. Em uma das falas que mais repercutiram, ele afirmou: “Tem um batuque, irmão, que não é nosso; tem um batuque que é chamamento de demônio”. A declaração gerou forte reação, tanto de apoio quanto de crítica, especialmente por estabelecer uma associação direta entre elementos musicais e práticas espirituais negativas.
O líder religioso, argumentou que certos ritmos utilizados atualmente nos cultos se assemelhariam a práticas de religiões de matriz africana, sugerindo que essa influência poderia afetar o ambiente espiritual da igreja. Segundo ele, manifestações corporais observadas em alguns cultos lembrariam comportamentos de “abertura de sessão”, expressão utilizada para descrever rituais espirituais fora do contexto cristão.
Um dos pontos mais sensíveis de sua fala foi a menção ao testemunho de uma pessoa que teria vindo da prática de magia negra. De acordo com o pastor, esse relato indicaria que igrejas estariam adotando ritmos semelhantes aos utilizados nesses ambientes. Ao questionar os fiéis, ele reforçou sua preocupação com o que considera uma descaracterização da adoração cristã tradicional: “Isso não é pra crente. Sabiam dessa?”.
A repercussão foi imediata. Nas redes sociais, internautas e líderes religiosos passaram a discutir os limites entre tradição e contextualização cultural no louvor. Enquanto alguns defenderam o posicionamento do pastor como uma proteção à doutrina e aos chamados “bons costumes” das igrejas pentecostais, outros apontaram possível preconceito religioso e cultural, além de uma visão considerada excessivamente restritiva sobre a música cristã.
O episódio também trouxe à tona uma tensão crescente dentro de segmentos evangélicos, especialmente entre alas mais conservadoras e movimentos que incorporam elementos culturais diversos na adoração, como o chamado “afro-gospel” e estilos populares presentes nos chamados “corinhos de fogo” e cultos mais expressivos.
Discussões semelhantes não são inéditas no meio cristão. Ao longo dos anos, instrumentos musicais e estilos contemporâneos, como guitarras, baterias e até ritmos como rock, funk e samba, já foram alvo de questionamentos teológicos. O caso recente envolvendo o pastor Osiel Gomes, no entanto, ganhou destaque por utilizar uma linguagem direta e por associar explicitamente determinados sons a conotações espirituais negativas, o que ampliou o alcance e a intensidade do debate.
Diante da repercussão, o tema segue mobilizando opiniões e reflexões dentro da igreja, evidenciando um cenário em que tradição, cultura e espiritualidade continuam em diálogo e, por vezes, em confronto, no contexto do louvor cristão contemporâneo.
Time Gospel.
