Geral
Uso de celular causa insônia e ansiedade em idosos
Estudo da UFMG liga uso excessivo a ansiedade e isolamento social na terceira idade
Por Cristiano Stefenoni
O celular deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação para se tornar companhia diária de milhões de idosos brasileiros. Vídeos, receitas, jogos, notícias e redes sociais passaram a ocupar boa parte do tempo de pessoas que viveram grande parte da vida longe do universo digital. Mas o avanço dessa conexão também começou a preocupar pesquisadores.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu que o uso excessivo de celulares entre pessoas com mais de 60 anos está associado ao aumento de transtornos como ansiedade, insônia e dependência digital. A pesquisa analisou trabalhos científicos produzidos ao longo de 11 anos envolvendo cerca de 50 mil idosos em diversos países, sendo 11 mil brasileiros.
Os pesquisadores identificaram que a chamada “nomofobia” tem crescido nessa faixa etária. O termo define o medo de ficar sem celular, sem internet ou desconectado. Segundo o levantamento, muitos idosos já apresentam desconforto emocional quando estão longe do aparelho ou impossibilitados de acessar mensagens e redes sociais.
Além da ansiedade, o estudo aponta impactos diretos na qualidade do sono. O hábito de permanecer horas diante das telas durante a noite reduz o descanso e afeta a disposição física no dia seguinte. Em muitos casos, idosos deixam atividades presenciais de lado, passam menos tempo fora de casa e reduzem a interação social física.
Os pesquisadores também observaram que idosos estão mais vulneráveis a golpes virtuais e fake news. Isso porque parte desse público entrou no ambiente digital sem preparo adequado sobre segurança online. A facilidade de compartilhar conteúdos e clicar em links desconhecidos aumenta o risco de fraudes e desinformação.
Apesar dos alertas, o estudo destaca que a tecnologia não deve ser encarada apenas como vilã. O celular também ajuda idosos a aprender novas habilidades, manter contato com familiares, acompanhar notícias e combater a solidão. Aplicativos de mensagens e vídeos, por exemplo, aproximaram gerações e ampliaram o acesso à informação.
Especialistas afirmam que o principal ponto de atenção não é apenas o tempo de tela, mas a qualidade do conteúdo consumido e os efeitos emocionais provocados pelo uso. Quando o celular passa a gerar isolamento, angústia, perda de rotina e dificuldade para dormir, o uso deixa de ser saudável e começa a impactar diretamente a saúde mental e a qualidade de vida na terceira idade.
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