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Investigado por liderar uma célula virtual extremista que planejava ataques terroristas e atos de extrema violência em escolas e igrejas, um adolescente de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, foi condenado pela Justiça a cumprir medida socioeducativa de internação pelo período mínimo de dois anos. A decisão, proferida na última quarta-feira (28/1), atendeu ao pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) após a identificação de um rastro de crimes graves cometidos em comunidades fechadas na internet.
Segundo a representação da 4ª Promotoria de Justiça de Ituiutaba, o menor, que não teve a idade divulgada, exercia posição de comando em grupos conhecidos no ambiente digital como “panelas”. Nessas comunidades, indivíduos de diversas regiões do país mantinham uma divisão funcional de tarefas para articular o que os investigadores classificam como “terrorismo doméstico”.
“A estabilidade e a permanência da associação restam evidenciadas pelas interações contínuas registradas entre os meses de novembro e dezembro de 2025, pela coordenação logística voltada à obtenção de armamentos, fabricação de artefatos incendiários e articulação com grupos estrangeiros, com o objetivo de conferir repercussão internacional às ações violentas planejadas pela célula liderada pelo adolescente”, detalhou o promotor de Justiça Felipe Issayama.
Também foram apreendidos vídeos com mutilações de animais, armazenamento e distribuição de pornografia infantil e, ainda, a indução à automutilação, ao suicídio e prática de atos libidinosos sob ameaça.
“As conversas revelam motivação baseada em ódio racial e religioso, com reiteradas manifestações de ideologia nazista e declarações hostis direcionadas a evangélicos. O representado destacou-se pela posição de liderança, incentivando a todo momento a violência e fornecendo instruções técnicas para a execução de ‘massacres’ coordenados em diferentes unidades da federação”, completa Issayama.
Sequestro de pessoas em situação de rua
De acordo com as informações divulgadas pelo MPMG, o conteúdo interceptado durante as investigações revelou, além de planos de massacres em escolas e ataques a templos religiosos, que o grupo extremista liderado pelo menor também planejava promover sequestros e torturas de pessoas em situação de rua.
Na sentença, o magistrado ressaltou a gravidade e a variedade das infrações. “No caso em tela, houve multiplicidade de atos infracionais violentos contra crianças, adolescentes, mulheres e animais. Atos infracionais análogos a associação criminosa, atos preparatórios de terrorismo, estupro, induzimento à automutilação e ao suicídio, maus-tratos a animais domésticos e distribuição e armazenamento de pornografia infantil”, destacou o juiz na decisão.
O adolescente, que já estava sob custódia durante a instrução do processo, teve o direito de recorrer em liberdade negado pela Justiça.
José Vítor Camilo/O Tempo

Sou Silas Rodrigues, o Silas do Blog, fundador deste site, com quase 15 anos de existência. Gleiziane é minha esposa e repórter fotográfica.