Publicado
1 dia atrásno
No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o desabafo de uma filha expõe os detalhes de mais um feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul. Leisiane Cruz Vieira perdeu a mãe, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, assassinada dentro de casa na sexta-feira (6), em Anastácio, e decidiu contar a história para que a morte dela não seja apenas mais um número nas estatísticas da violência contra mulheres. Edson Campos Delgado confessou ter matado a mulher pela manhã, chamado o socorro de noite e usado o celular da vítima para enganar familiares.
Em relato enviado ao Campo Grande News, a jovem descreve a data como “o dia mais doloroso da minha vida”.
Segundo a investigação, o principal suspeito do crime é Edson Campos Delgado, marido da vítima. O delegado responsável confirmou que ele confessou ter matado Leise por volta das 7h da manhã.
Mesmo depois do crime, ele permaneceu na casa durante todo o dia com o corpo da mulher. Às 8h30, uma mensagem chegou ao celular de Leisiane, enviada do WhatsApp da mãe. “Bom dia flor do dia ”.
Era exatamente assim que Leise costumava falar com a filha todos os dias. Sem imaginar o que havia acontecido, Leisiane respondeu normalmente. Só mais tarde descobriria que, naquele momento, a mãe provavelmente já estava morta. Segundo a filha, depois daquela conversa o celular de Leise deixou de responder.
Somente no fim da noite, por volta das 23h, Edson entrou em contato dizendo que a mulher estava passando mal e que havia chamado socorro. Pouco depois, afirmou que a levava ao hospital.
Às 1h58 da madrugada, ligou para o marido de Leisiane informando que Leise havia morrido. Até então, a família acreditava que poderia se tratar de um problema de saúde.
A verdade começou a aparecer após a análise inicial do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), que apontou sinais de asfixia. Diante das evidências, o homem acabou confessando o crime.
Relacionamento que mudou
Leisiane conta que o relacionamento entre os dois nem sempre parecia violento.
Eles se conheciam desde a época da escola e já haviam sido casados anteriormente com outras pessoas. Anos depois, se reencontraram e começaram a relação, cerca de cinco anos atrás.
Da união nasceu um menino, hoje com três anos, que após a morte da mãe passou a ficar sob os cuidados dos avós.
Segundo a filha, no início Edson demonstrava ser uma pessoa completamente diferente.
“Ele era um doce, um anjo, muito carinhoso. Quando foram morar juntos ele começou a ser completamente possessivo. Controlava o dinheiro dela, fazia violência financeira para que ela não pudesse sair de casa.”
De acordo com a filha, a mãe falava sobre o sofrimento dentro da relação e chegou a dizer que pensava em denunciá-lo.
“Ela dizia que ia denunciar, mas tinha medo.”
Dor que vira denúncia
No texto enviado à reportagem, Leisiane descreve a mãe como uma mulher cheia de vida e profundamente dedicada aos filhos.
“Minha mãe sempre foi uma pessoa extremamente alegre, cheia de vida, cheia de luz. Quem conhecia a Leise sabia que ela iluminava qualquer ambiente.”
Para a filha, falar sobre o que aconteceu também é uma forma de impedir que a história da mãe seja esquecida.
“Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha, mãe, amiga. Uma mulher cheia de sonhos.”
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, o sexto registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.
Por Gabi Cenciarelli/Campo Grande News