Polícia
Jovem não paga conta de R$ 9 mil em bar e gerente raspa seu cabelo como “punição”
Uma noite em um bar de Bangkok, na Tailândia, terminou em vídeo de humilhação, denúncia à polícia e revolta nas redes sociais. Uma jovem de 18 anos teve a cabeça raspada pelo gerente do estabelecimento depois de não conseguir pagar uma conta de cerca de 60 mil baht, valor equivalente a aproximadamente R$ 9,4 mil.
Eu estava no carro, subindo as Laranjeiras de volta para o Cosme Velho, quando li a história. Pedi ao motorista para baixar o ar, porque a cena já era gelada por conta própria. Conta alta se resolve com cobrança, polícia e advogado, não com máquina de cortar cabelo diante de uma câmera.
Segundo a versão do bar, a jovem usou um documento falso para entrar no local e consumiu mais de 200 bebidas em um host bar, estabelecimento em que clientes pagam também pela companhia de atendentes homens. Quando a conta chegou, ela não teria dinheiro para pagar.
A jovem, identificada pela imprensa local como Muay, afirma que funcionários a cercaram e que foi colocada diante de duas opções: apanhar ou deixar que raspassem seu cabelo. Ela assinou um documento que descrevia a venda dos fios por 3 mil baht, mas disse que imaginava que teria apenas parte do cabelo cortada, não a cabeça completamente raspada.
Eu olhei pela janela do carro e pensei que nem o trânsito de segunda-feira tem autorização para tanto abuso. Um contrato assinado sob pressão, com uma pessoa acuada e diante de uma punição pública, não tem nada de solução civilizada. Tem cheiro de intimidação.
O gerente nega coação e diz que a mãe da jovem teria concordado com o acordo para abater parte da dívida. A mãe, porém, contestou essa versão e afirmou que se ofereceu para quitar o valor de forma parcelada. Ela também disse que não foi informada de que a filha ficaria careca.
A ativista Chalida Phalamat, da organização Pen Nueng, criticou o estabelecimento e defendeu uma investigação. Para ela, o bar ultrapassou todos os limites ao transformar uma cobrança em punição física e pública. O gerente chegou a pedir desculpas depois da repercussão e admitiu que passou do ponto.
Quando o carro dobrou em direção ao Cosme Velho, eu já estava pensando na aula de pilates, mas com uma certeza: dívida se discute pelos caminhos legais. Transformar o corpo de alguém em moeda de troca é uma violência que nenhuma conta explica.
Jornal de Brasília
