Os céus se rasgaram como as águas singradas pelo furor das embarcações imponentes que se recuam ante a força avassaladora do seu impacto. O chão tremeu num abalo sem explicação possível aos humanos tão limitados nas suas conjecturas. Os horizontes se distenderam em regozijos que se projetaram dos lábios embalados por vozes muitas até abafadas pela emoção que rói a alma.

O ambiente se impregnou de glórias e aleluias altissonantes, numa cena que lembrava aquelas onde chamas ardentes lambem vorazmente as substâncias que o desafiam. A presença de Deus não era simples desejo; era realidade. Não importou se era uma tarde, de um dia sujeito a chuviscos.

A chuva de graça não coube na medíocre previsão meteorológica dos fracassados que talvez não apostavam em uma torrencial manifestação Divina em um dia da semana, em um trabalho coordenado por mulheres. Esqueceram estes que aquelas são mulheres guerreiras que fazem de suas vidas o arcabouço da história de uma obra abraçada com denodo, carinho e muita dedicação?
Era o Encontrão da Tarde da Bênção, na Assembleia de Deus em Olaria. Uma novidade e tanto! Até parecia um congresso, de tanta gente no local, se é que todo congresso tem muita gente no local! A tarde ficaria na história de um povo. Os olhares molhados por lágrimas teimosas reluziam em rostos ávidos por momentos na presença de Deus. Ali, antes mesmo das 15h, homens e mulheres já se deleitavam na esperança do início do Encontrão. O encontrão, então,  começou.

Passos apressados de gente simples, gente necessitada, eclodiam pelos corredores da Casa de Deus, em Olaria. As organizações que estavam prontas para o louvor aguardavam o momento da convocação para exaltarem com suas vozes. Assim foi com o grupo de senhoras do Sílvio Pereira, em Coronel Fabriciano, dentre outros como, por exemplo, o círculo de oração da Assembleia de Deus em Olaria.


Mas, na Tarde da Bênção? Trabalho que não deixa seus líderes famosos, não os dá status, não os dá holofote nem motivos para bajulação? Tarde da Bênção? Sim. Foi em uma, em uma, nesta terça-feira.
Obreiros e esposas lá estavam para mergulharem no que seria um rio de bênçãos, um oceano de glória! A cantora Eliane Silva assumiu a direção da programação. Com seu jeito avivalista, não aceitaria o gelo em uma tarde fria lá fora. Fria lá fora e com fogo dentro do templo. Eliane conduziu os trabalhos dentro da ótica de um dia que seria histórico, não pelos seus méritos de estar entre as coordenadoras do evento, mas com a humildade de ter sido revelada por Deus, segundo disse, com relação ao Encontrão. Hinos entoados, Cristo exaltado. Cristo exaltado, hinos entoados.


No púlpito, mulheres que sabem muito bem quais são os desafios de uma entrega sincera a Deus. Denísia e outras, como escudos, no púlpito reforçavam o esteio de sustento daquela programação. Mulheres com intimidade com Deus. Mulheres que têm a oração quase que como o oxigênio que respiram. Mulheres como Miriam, Ivone, como outras que oram!
Uma pausa e diversos obreiros, de Ipaba, adentram o templo para prestigiarem o evento e passarem instantes na presença de Deus. O trabalho segue. A glória do Todo-Poderoso enche a Casa. A Casa treme de unção dos que povoam seu espaço. O espaço é o universo de glorificação e exaltação a um Mestre que guia tudo. Que guia, também, a Tarde da Bênção. Um Mestre que, mais uma vez, se revelava aos fiéis que se entregaram à fé de irem ali buscar sua bênção e regozijar na presença do Rei.

 


Cânticos entoados, chão tremido. Forte como marés que não recuam ante o muro de areia. Mulheres, homens, jovens e anciãos avançam na expressão espontânea do calor que os invadiam, intensificado pelas mensagens daqueles cânticos. Ali parecia que ia ser o fim dos dias e que ninguém sairia dali para outro lugar. Tipo uma despedida desta terra de efemeridades, um lugar onde nem todas tardes são tardes de bênção. O gozo produzido no ambiente era incomensurável. “Me dá vontade de trazer uma cama para aqui e não sair daqui mais”, disse um dos participantes, tentando dimensionar o que sentia ali.
Chega a hora da mensagem. Aula de grego? Show de teologia? Nada disso. Disso, nada. Sermão cuspido pelas telas do tablet? Nada disso. Um homem, um servo de Deus, passaria a ser o canal de uma mensagem arrancada dos comentários sobre a morte do filho da viúva de Naim. Simples assim? Não. Não foi simples e nem assim. O desenrolar do relato bíblico reverberava o que seria a mensagem. Detalhes de uma explanação que se agigantava na lição que encerrava cada pensamento.
Impactante como o impacto de muitas ondas foi o sermão do pastor que tem no nome “André” e “Matias”, morador de uma estado que tem no nome São e Paulo. Com a força de um pulmão capaz de lhe propiciar a dispensa de um microfone (ele não fê-lo), pastor André Matias não poupou o que Deus lhe passou para entregar para a igreja. Foi direto, sem hipocrisia e sem massagem em egos. Bateu forte nos corações com palavras capazes de levar à reflexão de um evangelho genuíno. A igreja tremeu. O pastor não escondeu seu passado de sofrimento. Provou, com episódios de sua história pessoal, que os que colhem rosas venceram espinhos. Espinhos que lhe custaram 14 moradias de favor, muita humilhação. Porém, Deus lhe deu vitória e o pregador estava ali marcado pelo sofrimento e não pelo anel de uma formatura engessada, eivada de teorias. Quando André Matias assegurou ao povo que Deus iria fazer algo extraordinário ele sabia do que estava falando. Ele foi alvo de algo extraordinário.
O Encontrão se diluia nos momentos de sua duração e a vontade de saber qual seria a data do próximo não foi devaneio.

As coordenadoras Miriam Oliveira, Ivone Aparecida e Eliane Silva, com o pastor André Matias.

Mas tudo foi maravilhoso! Mas, houve salvação de almas? Claro que sim! Um trabalho com a pujança daquele não poderia terminar diferente, senão não teria sido o que foi. Duas pessoas, um jovem e uma jovem, se renderam aos pés de Cristo e decidiram suas vidas a Deus. O povo se alegrou. No momento da oração, pastor Joaquim Tavares, regional de Cava Grande, foi enfático e feliz ao dizer que, com a rendição daquelas duas pessoas, a festa não aconteceu só no templo mas, também, no céu.
Se muito não pudesse ter sido descrito do Encontrão, dizer que duas pessoas aceitaram a Jesus teria sido a prova de que foi um Encontrão e tanto, onde duas pessoas tiveram um ENCONTRÃO: receberam Jesus como Salvador. E, por falar em Encontrão, quando vai ser o próximo?

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui