A entrada triunfante de Luiz Gonzaga de Lima nos portais da eternidade, aos 89 anos, no último domingo (03/09) é mais um desfalque na galeria dos pioneiros vivos das Assembleias de Deus, ligadas ao próspero ministério Adão Araújo, pastor responsável pela sua fundação, que tem sede em Timóteo, no Leste Mineiro.

Luiz Gonzaga foi como um daqueles primeiros tijolinhos, bem firmes, que se lança em uma construção, sobre o qual outros serão colocados, dando musculatura à obra. Sua contribuição ingente, fantástica, não se perderá no tempo. Ficará como marco indelével de um herói, aquele herói às vezes anônimo, mas cuja conquista beneficiou outros, talvez nem tanto heróis como ele.
Conhecido por seus colegas de trabalho como “Menino”, forma carinhosa como era tratado também por outros amigos, Luiz Gonzaga, que um dia antes em conversa com a família lembrou-se de vários irmãos que partiram para o senhor, deitou, dormiu e “acordou na Glória”, como destacou o filho Flávio de Lima. Sua morte, ainda segundo Flávio, foi em decorrência de causas naturais. Luiz Fechou os olhos e não mais os abriu.

Sua escolha em criar a família nos caminhos do Senhor evidenciou sua sabedoria, aquela sabedoria reservada aos justos, àqueles homens de visão profunda, atentos às intempéries que se voltam contra a solidez de uma sociedade e assola valores que deveriam ser preservados e urge ser restabelecidos. Luiz Gonzaga pode não ter tido diplomas enfeitando sua parede como corrompível troféu degustável pelas traças, mas conservou seu temor a Deus em suas ações, tão claras como a luz do sol. Sua vida não foi um livro aberto. Foi um livro escancarado para quem desejasse aferir sua conduta como pai, amigo, esposo, avô e bisavô. Luiz, aposentado há cerca de 30 anos pela antiga Acesita (Aperam) viveu décadas mas, para os que gravitavam na órbita do calor da sua existência, seus anos de vida passaram como se tivessem sido poucos dias, quem sabe horas.
Hino 26 da Harpa Cristã, de que gostava Luiz Gonzaga
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“Como servo era um homem que estava sempre procurando agradar a Deus. Não gostava de perder culto, e na escola dominical era campeão de frequência e pontual sempre.Um exemplo a ser seguido”, ressaltou um dos filhos, que revelou que uma das coisas que o pai mais gostava “era estar reunido com os irmãos e viver a união da família”.

Homem de um sorriso largo, puro e cordato, soube conciliar suas tarefas como chefe de família e servo de Deus. Seus afazeres não o impediram de caminhar para a casa do Eterno. Quando ia à Assembleia de Deus no bairro Olaria, por exemplo, era comum vê-lo utilizar-se de dois ônibus para chegar ao templo. Não murmurava por estar precisando deste recurso para adorar o Mestre. Sorrindo, esperava o coletivo com a paciência de uma criança e a convicção de que seus esforços não eram em vão e para quem eram envidados valiam a pena.

Na família deixou legados que se eternizarão em suas gerações. Nas reuniões que fazia com filhos, netos e outros familiares, não deixava faltar a Palavra de Deus e o hino 26 da Harpa Cristã era sempre entoado e lido o versículo 1 do Salmos 23. Perguntado sobre qual é, na sua opinião, o maior exemplo deixado pelo pai, um dos seus filhos disse: “O maior legado foi o temor ao Senhor, humildade, honestidade e a amizade”
Um dos netos de Luiz Gonzaga lembrou o relato que sua mãe, a Conceição, fez a respeito do avô. Disse ele: “Minha mãe disse que meu avô sempre mencionava o Salmos 103, que diz: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor e tudo que há em mim bendiga o seu santo nome”, pois ele sempre foi grato por tudo. Era assíduo aos trabalhos na igreja e, a ultima vez que ficou alguns dias em minha casa, aproximando do horário de ir à escola bíblica que ele ia aos sábados, ele disse a ela e netos que tinha que ir pois devemos buscar e caminhar enquanto tem força e vigor”.
A família do irmão Luiz, o Luiz Gonzaga, de cuja composição consta 9 filhos, 9 netos e 2 bisnetos, era para ele como uma pérola. Isto ficou muito claro por ocasião da sua morte. Lamentos de seus netos se espraiaram pelas redes sociais. Eles e filhos queriam expressar o quanto Luiz representava para suas existências. Não partiu para o outro lado da vida apenas um homem. Partiu, como se pode aferir em suas publicações, um pedaço do sentido de suas vidas que agora exibirão a dor da saudade provocada pelo vácuo originado por perdas como esta. O valor de Gonzaga não se dimensionou pelo trivial, na efêmera régua de medir valores invertidos. O valor do irmão Luiz, em parte, em grande parte, foi dimensionado pela extensão das lágrimas roladas de olhos que desejavam fosse apenas uma miragem a notícia da morte deste pioneiro. “É meu herói, o senhor se foi né? O que falar do senhor? Tenho nem palavras para dizer o que o senhor foi pra mim: mais do que um vô. Sempre foi o pai que não tive. se hoje sou assim, foi porque o senhor me ensinou. Sei que o senhor está num lugar que todos queremos ir, que é o lado do PAI, ai no céu. Quero te agradecer por sempre ter se orgulhado de mim. A dor é grande; não sei nem o que falar, mas sei que Deus te levou, porque aqui já não era mais o seu lugar. Agradeço a Deus por o senhor ter me criado, porque sei que sempre o senhor esteve do meu lado, e do senhor sempre vou lembrar“, escreveu um dos seus netos, Wellington Lima, em seu perfil numa rede social. O emocionante texto foi ilustrado por uma foto do seu autor junto com o herói. O destino deste homem não foi ignorado pelos que viveram com ele e testemunharam sua fidelidade aos princípios que nortearam sua conduta como cristão. Para estes, Luiz foi um combatente do bom combate. “Só nos resta saudadesss. Combateu o bom combate e guardou a tua fé“, publicou outro membro da família.
As medalhas que talvez não chegaram às mãos deste herói anônimo que não bajulava holofotes foram suas conquistas silenciosas, mas palpáveis, deixadas nos exemplos de como se serve a Deus, mesmo em meio às dores e incertezas tão comuns à vida. Não se tem notícia de um Luiz murmurando ou reclamando da vida. Sua visão era do Reino e, assim, preferiu lutar até o momento em que fosse convocado para subir ao pódio dos vencedores, na eternidade. A passagem deste homem por aqui não se limitará em recordações perdíveis nos ventos. Sua abnegação em dar carinho aos que precisavam do seu aconchego atesta sua renuncia a si mesmo para amparar os seus. Na imagem que aparece em destaque nesta matéria Luiz Gonzaga sopra um vegetal que, certamente, se desfará no ar, deixando partes espalhadas. Como uma flor, que enfeitou o jardim da existência humana, Luiz foi tragado pela realidade da temporalidade do homem. Porém, suas marcas vão ficar espalhadas, em forma de exemplos e lembranças que suas ações esculpiram. Quando for preciso citar alguém que aos 89 anos ainda conservava a candura de um menino, certamente Luiz Gonzaga de Lima será lembrado.
Luiz Gonzaga não está mais aqui. Um dia fechou os olhos para não mais abri-los. O que deitou pensando? Será que foi na letra do hino 26 da Harpa Cristã que tanto gostava? Quem sabe, antes daquele sono chegar, a mente do “menino” estava inundada pela alegria, pois “quão glorioso, cristão, é pensares na cidade que não tem igual. Onde os muros são de puro jaspe e as ruas de ouro e cristal. Talvez ele pensava como será glorioso ver-se-a triunfal multidão que, cantando, aguarda a chegada dos que vencem a tribulação. Quem sabe ele pensava em como será glorioso ver o rio da vida e luz, cujas margens juncadas de lírios, são a glória de nosso Jesus. Luiz sabia que lá haverá lá perpétua aurora, pois Deus mesmo a alumiará; e o Cordeiro, com Sua esposa, noite e dia resplandecerá. Quem sabe Luiz Gonzaga pensava na celestial melodia que a terra encherá, de Beulá; e das harpas a doce harmonia que ao passar o Jordão se ouvirá. Luiz Gonzaga, mesmo em dores que levam à morte, foi constante e não voltou atrás. De Luiz Gonzaga de Lima a herança, a eterna sorte, foi Jesus, o Fiel, que ele Verá. Para Luiz Gonzaga foi glorioso pensar nas grandezas, nos prazeres que acodem aqui. Mas bem maior, para ele, será desfrutar as riquezas que esperam os salvos, ali. Luiz Gonzaga sabia que os encantos do mundo não podem ofuscar essa glória dalém; por isso sempre almejou viver na formosa Jerusalém, para onde foi. Amém!
As imagens foram extraídas de Facebook de familiares







MUITO OBRIGADA SILAS, PELAS HOMENAGEM FEITA AO MEU PAI. MUITO LINDA E VERDADEIRA .DEUS CONTINUE ABENÇOANDO SUA VIDA.
Parabens pela homenagem,gratos a Deus pela vontade dele nas nossas vidas.