
Neste fim de ano, Lilia Marly, de 80 anos, e Neuza Gaglianone, de 81, levaram muita gente às lágrimas. Gente que se manifestou em redes sociais querendo saber mais sobre as avós conectadas do comercial de um banco. Como na ficção, a dupla dá aula de bem viver. E o que a maioria não sabe é que as paulistanas são amigas de verdade desde os 13 anos. “Sempre andamos de mãos dadas na rua”, conta Neuza, bióloga aposentada.
Desde abril Lilia e Neuza se tornaram famosas. “Acho engraçado quando me chamam de garota do Itaú, me pedem selfie”, admira-se Lilia, que antes de virar estrela, foi professora do jardim de infância por 59 anos: “Estava muito de baixo astral quando me chamaram para atuar nos comerciais. Foi uma injeção de ânimo”.

De grana também. “Foi ótimo, pude pintar minha casa”, conta Lilia. O melhor, no entanto, foi a surpresa que receberam na última gravação da qual participaram, na qual Lilia lê emocionada uma carta para os netos explicando a diferença entre o tempo e a vida. “A gente não sabia de nada e quando chegamos lá estavam nossas famílias reunidas. Aquilo tudo foi de verdade mesmo”, conta Neuza, que teve até a companhia do filho, que mora nos EUA.

Lilia tem cinco filhos, sete netos e uma bisneta. Neuza é mãe de dois filhos, que geraram quatro netos para ela. Ambas são viúvas. Lilia há cinco anos, e Neuza há três. As duas se conheceram nas piscinas do Clube Pinheiros, pelo qual Lilia compete até hoje. “Fiquei uns 20 anos sem competir, nadava só por lazer. Mas quando voltei não parei mais”, diz.

Foi na piscina do clube que elas foram pinçadas do anonimato e foram contratadas como as velhinhas conectadas. Só que de velhinhas elas não têm nada. Neuza está com a família em Ubatuda, onde passa férias, e Lilia está ali perto, em Maresias, ambas as cidades no Litoral Paulista. Na praia, elas estão mandando. “Até dentro do mar um casal me reconheceu e disse que ficou muito emocionado com os comerciais de fim de ano”, diverte-se Neuza.

Lilia é a voz da carta. E o mesmo tom embargado aparece quando ela faz uma análise de 2016 e, claro, de seu próprio passado ao lado de Neuza. “Se eu pudesse definir minha vida em uma frase seria alegria de viver. De poder estar aqui falando sobre um trabalho e tendo força e juventude para viver ainda mais”. Ops, escorreu uma lágrima aqui também.






