Ana-Paula-Renault
Paulo Victor Mafrans

A mulher que derrubou peça por peça do xadrez do “Big Brother Brasil 16” e se tornou a vilã mais carismática de todas as edições é a mesma que subiu no capô de um jipe, em pleno rali pelas montanhas de Minas Gerais, para dizer ao organizador do evento: “Cuidado, estou te querendo”! Isso com o dedo indicador apontado na direção do sujeito em questão.

— Vi aquele cara másculo e me encantei. Estávamos num comboio e eu ultrapassei todos os jipes, parei na porteira em que ele estava, desci, dei meu recado e entrei no carro para continuar a prova. Depois, a gente namorou por dois anos — revela a ex-BBB Ana Paula Renault, de 34 anos, numa conversa pontuada pelo bom humor e seus famosos bordões (veja quadro na página 9).

Para ela, depois de sua participação no reality show, que termina terça-feira, os homens ficaram com mais medo de seu jeito cheio de atitude.

— Tem quase um mês que saí da casa e ainda não fiquei com ninguém. Pelo visto, vou ficar nesse zero a zero por um bom tempo. Minha independência afasta. Quem não tem vontade de me entender me acha louca — opina a solteira, que não dá certeza se vai participar da festa da final do programa do qual foi expulsa após bater no rosto de Renan numa festa: — Para mim, aquilo não foi um tapa, mas uma provocação.

A ex-sister diz que a maternidade nunca foi um sonho
A ex-sister diz que a maternidade nunca foi um sonho Foto: Sérgio Baia/Divulgação

 

Unida a Munik, Ronan e Geralda no jogo e apoiada por uma infinidade de fãs aqui fora, a jornalista acredita que compartilhar a vida é essencial. Ser mãe, no entanto, não chega a ser uma prioridade:

— Ninguém nasceu para viver sozinho. Tive alguns namoros longos até uns 27 anos. Depois, comecei a questionar muito se o cara seria o pai dos meus filhos. A maternidade nunca foi um sonho. Se eu encontrar a pessoa certa, será bárbaro. Com a morte da minha mãe (Maria da Conceição morreu num acidente de carro há 17 anos), prezo muito a presença do pai na educação de uma criança. O meu foi essencial. Produção independente não serve para mim. Não tenho nada contra quem pensa de forma diferente, só é uma questão pessoal.

Ana tinha 17 anos quando perdeu a mãe. Além dela, a funcionária pública deixou uma filha de 14 anos, Maria Aparecida, Cida, hoje com 30 (a ex-BBB tem mais três irmãos — duas mulheres e um homem, do primeiro casamento do pai, o político Gerardo Renault). Para a mineira, de Belo Horizonte, ficar órfã tão nova fez com que ela sentisse mais necessidade de se posicionar em relação a tudo.

 

Ana durante o confinamento
Ana durante o confinamento Foto: Paulo Belote / Rede Globo/Divulgação

 

— Quando ela morreu, meu pai já tinha seus 70 anos. Era menos uma para me proteger. Então, decidi gritar sozinha. Isso funcionou como a minha arma de defesa — analisa a jornalista, que completa: — Passei a ter uma noção maior de família. Prezo muito estar com eles. Vivi sete dias de luto intenso, sem tomar banho, jogada na cama. Tive uma amiga que ficou comigo esse tempo todo, colada mesmo.

O anjo em questão — para usar um termo do “Big Brother”— foi Úrsula Paola Carneiro Veiga, de 34 anos, amiga de Ana há duas décadas. As duas se conheceram na época da escola e nunca mais se desgrudaram.

— Foi um momento muito difícil que passamos juntas. Três anos depois, foi minha vez de sofrer com a perda do meu pai, e Ana esteve também do meu lado — lembra Úrsula, que considera a parceira uma líder (ops, outro termo do “BBB”) desde os tempos de escola: — Ela foi minha madrinha de casamento. Na época, eu e meu irmão não nos falávamos. Então, eu ia entrar na igreja com minha mãe. Ana achou um absurdo aquilo. Ela, então, aprontou um escândalo na porta da casa da minha família e obrigou o meu irmão a me acompanhar. No dia da cerimônia, ele estava na porta da igreja me esperando, sem eu saber. Foi uma linda surpresa!

Ainda sobre a morte de Maria da Conceição, Ana Paula afirma que não gosta quando associam o fato a sua agressividade no confinamento — “Sou assim porque sou. Não é culpa de nada nem de ninguém”, argumenta — e diz que reagiu à dor em nome da irmã Cida, a quem chama de anjo da guarda, e do pai, hoje com 86 anos.

— Não queria que eles me vissem eternamente jogada no chão. Não podia me dar ao luxo de ficar sofrendo para sempre. As coisas foram acontecendo e a vida foi seguindo. Meu pai se casou pela terceira vez… Tempos depois, Cida também se casou, me deu um sobrinho…

Carinho com o pai
Carinho com o pai Foto: Reprodução

 

Enquanto a irmã mais velha é verborrágica e impulsiva, a caçula é reservada e tem a fala mansa. Isso, no entanto, é apenas um detalhe na relação das duas, definida por Ana como uma boa dobradinha entre razão e emoção (“Eu sou a mais passional e ela me chama toda hora para a realidade” resume a loura).

— Tento fazer tudo para Ana. Foi muito difícil passar pela morte da nossa mãe. Na época, minha irmã ficou responsável por fazer supermercado, resolver tudo com a empregada… Meu pai nunca pensou em comprar roupa para criança, vistoriar dever de casa. Ana tomou as rédeas da casa. Na ocasião, foi uma figura materna para mim — conta Cida.

Gerardo Renault afirma que as preocupações com a filha não acabam. O ex-deputado estadual e atual presidente do Instituto de Previdência do Legislativo do Estado de Minas fica atrás da cria para saber se já tomou remédio, se comeu direito, se dormiu…

— Só espero que ela se encontre profissionalmente independentemente do caminho que tomar. Encontrar-se é um dos maiores desafios do ser humano.

 

Ao lado dos familiares
Ao lado dos familiares Foto: Reprodução/Instagram

 

Por muitas vezes, a postura imperativa da jornalista causou incômodo entre os confinados do “BBB”. A participante, no entanto, ressalta que muitas mulheres procuram por ela para relatar como sua postura as ajudou a vencer complicadas situações familiares.

— Algumas meninas sofriam com olhares maldosos, por parte de uma figura masculina, dentro de casa. Ao verem minha briga com Laércio, elas tiveram coragem para contar o que acontecia para as mães — relata ela, referindo-se ao episódio em que reclamou do designer de tatuagem, de 53 anos, olhar com maldade para as garotas da casa (Ana chegou a chamá-lo de pedófilo, causando polêmica).

Mas a dona da figura altiva que percorreu todos os cômodos do “BBB” e as mais concorridas rodas sociais da capital mineira confessa não ser tão forte quanto os outros imaginam. Por isso, argumenta, está sempre na defensiva. Ela acredita compensar a falta de inteligência emocional com uma franqueza exacerbada:

— De onde tiraram que eu tenho essa autoestima elevada? Não sou um poço de equilíbrio, nem quero ser. Já fiz muita terapia, mas sempre recebia alta.

A despeito do doce e do amargo de sua personalidade, fato é que Ana, além de simpática e bem-humorada, mostrou ser um grande sucesso midiático. Por onde anda, carrega um legião de fãs enlouquecidos. De tantas solicitações de amizade e mensagens, seus perfis nas redes sociais travam, ficando às vezes inutilizados por dias. Só no Instagram, a nova celebridade tem 1,1 milhão de seguidores. No Twitter, o número chega a 319 mil.

Ana Paula Renault se tornou uma das mais populares participantes do ‘BBB’
Ana Paula Renault se tornou uma das mais populares participantes do ‘BBB’ Foto: Sérgio Baia/Divulgação / Sérgio Baia/Divulgação

 

Tanto apoio por parte do público fez com que ela se transformasse numa espécie de Big Boss: deu todas as cartas do jogo. Três vezes emparedada, ela defenestrou cara a cara Laércio, Tamiel e Juliana. Venceu também o paredão do bem contra o amigo, Ronan. Fora da casa, continuou mostrando o poder de influência da sua torcida, trazendo para a vida real Adélia e Renan.

— Acho que o povo foi com a minha cara porque eu prometia e cumpria. Não menti nem fiz intriga. Só que eu imaginava que nosso grupo era forte por conta de Munik e Ronan. Quando saí, fui ver que o foco era em mim. Meu jogo foi coerente e o público gostou — sustenta a sagitariana com ascendente em Leão, que não se acha uma fera indomável: — Só tem essa questão de falar as verdades. Por isso que não posso seguir carreira política. Certamente, iam me matar na primeira oportunidade.

Enquanto a figura da ex-BBB foi se transformando ao longo de quatro horas de prosa, entre trocas de roupas, maquiagens e sessões de fotos na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Flamengo, Ana Paula falou sobre a reforma em seu futuro profissional que vai bem, obrigado.

— Estou adorando a experiência no “Vídeo show” (ela faz o quadro “Por onde anda” entrevistando ex-BBBs). É por esse caminho que eu quero seguir. A meta é ter um programa bem descontraído, só para mim, que seja recorde de audiência — planeja, gargalhando.

Extra

1 COMENTÁRIO

  1. Silas, bom dia. Não entendo como a mídia idolatra uma pessoa mesquinha, pobre de espírito, sem educação, nem valores, que passa por cima de todos para se sobressair. Uma matéria gigante para uma pessoa tão pequena. Essa “moça” não merece esse destaque.
    Atenciosamente
    Maria

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