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Médico desenvolve receita com figuras para pacientes que não conseguem ler
O médico Lucas Cardim, de 39 anos, desenvolveu uma ferramenta para passar receitas médicas com desenhos que indiquem como, quando e quanto do medicamento deve ser utilizado para o tratamento. O programa é para que os profissionais de saúde possam auxiliar pacientes que não conseguem ler, tem uma baixa cognição ou que está em declínio cognitivo, como alguns idosos.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), mais de 11 milhões de pessoas são analfabetas no Brasil. Enquanto o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), aponta que quase 40 milhões de pessoas têm letramento rudimentar, ou seja, conseguem ler algumas frases mas não necessariamente entender o que leram.
Não se trata de uma questão de letra, mas uma questão de letramento”, comentou o médico.
Enquanto o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), aponta que quase 40 milhões de pessoas têm letramento rudimentar, ou seja, conseguem ler algumas frases mas não necessariamente entender o que leram.
Não se trata de uma questão de letra, mas uma questão de letramento”, comentou o médico.
Lucas é médico de família e comunidade, e atende na área rural do Bebedouro, no Sertão de Petrolina, em Pernambuco. Ao VIVA, ele comentou que,
Lucas é médico de família e comunidade, e atende na área rural do Bebedouro, no Sertão de Petrolina, em Pernambuco. Ao VIVA, ele comentou que, inicialmente, ele mesmo desenhava à mão as principais orientações do remédio.
Por exemplo, para medicamentos que deveriam ser utilizados pela manhã, ele desenhava uma xícara de café e um sol. Para representar a noite, desenhava lua e estrelas. E ainda desenhava a quantidade de comprimidos que o paciente deveria tomar.
No entanto, relatou que os desenhos gastavam muito tempo da consulta e não conseguiam abranger toda a complexidade de alguns tratamentos, como uso de insulina, higienização de machucados ou asma. Por isso, sentiu necessidade de desenhos mais elaborados para o receituário.
“São questões muito complexas que o paciente não letrado não tem sequer a chance de tentar relembrar. O ideal é o médico fazer uma consulta explicando muito bem a conduta e o paciente, em casa, ter a receita como um recurso de memória, de revisão daquilo que foi discutido”.
Por exemplo, para medicamentos que deveriam ser utilizados pela manhã, ele desenhava uma xícara de café e um sol. Para representar a noite, desenhava lua e estrelas. E ainda desenhava a quantidade de comprimidos que o paciente deveria tomar.
No entanto, relatou que os desenhos gastavam muito tempo da consulta e não conseguiam abranger toda a complexidade de alguns tratamentos, como uso de insulina, higienização de machucados ou asma. Por isso, sentiu necessidade de desenhos mais elaborados para o receituário.
“São questões muito complexas que o paciente não letrado não tem sequer a chance de tentar relembrar. O ideal é o médico fazer uma consulta explicando muito bem a conduta e o paciente, em casa, ter a receita como um recurso de memória, de revisão daquilo que foi discutido”.
Cuidado Para Todos
Lucas e um amigo de infância, Davi, que hoje trabalha como engenheiro de software no Google, elaboraram juntos a plataforma Cuidado Para Todos. O uso é completamente gratuito.A plataforma conta com ícones, desenhos procedurais, e QR Codes que levam a vídeos que explicam como fazer determinados tratamentos ou a aplicar remédios. Esses recursos podem ser utilizados pelos profissionais de saúde ao passar um receituário e, assim, auxiliar o paciente com o controle do seu autocuidado, segundo Lucas.
Um prontuário escrito para um paciente que não sabe ler é um absurdo, é um crime”
Segundo o médico, o Sistema Único de Saúde ainda não oferece nas plataformas de prescrição, como o prontuário eletrônico do cidadão, um sistema que contempla os não letrados. Para Lucas, o sonho é que o SUS passe a adotar essa filosofia e a ofereça gratuitamente para todo o País. A plataforma já é utilizada em 10 municípios.
Por Bárbara Ferreira/Viva
