Mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso, e cerca de 25% enfrentam obesidade, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2024, divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Saúde.
O levantamento traz um panorama detalhado sobre hábitos e condições de saúde da população adulta, incluindo obesidade, diabetes, hipertensão, consumo de frutas e hortaliças, ingestão de refrigerantes e sucos artificiais, prática de atividade física e qualidade do sono.
De acordo com o ministério, a prevalência de excesso de peso em adultos passou de 42,6% em 2006, ano de início do levantamento, para 62,6% em 2024. Já os casos de obesidade saltaram de 11,8% para 25,7% no mesmo período.
Apesar do aumento do peso corporal, houve avanço na prática de atividade física moderada – pelo menos 150 minutos semanais – no tempo livre. Em 2024, 42,3% dos entrevistados disseram ser fisicamente ativos, contra 30% em 2006.
Doenças crônicas
O Vigitel 2024 também aponta crescimento de doenças crônicas entre os adultos brasileiros. O diagnóstico de diabetes alcançou 12,9%, mais do que o dobro registrado em 2006, quando a doença atingia 5,5% da população.
“Esse resultado tem a ver com mais diagnósticos sendo feitos, mas também acende um alerta para a prevenção e cuidado com a população com diabetes”, avaliou Letícia Cardoso, diretora do Departamento de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde.
Já a hipertensão arterial apresentou aumento mais moderado, passando de 22,6% em 2005 para 29,7% em 2024.
Alimentação e consumo de refrigerantes
Mesmo com a alta do sobrepeso e da obesidade, a alimentação do brasileiro apresenta sinais de melhora. O consumo regular de frutas e verduras, em cinco dias ou mais por semana, manteve-se estável, passando de 33% em 2008 para 31,4% em 2024.
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O consumo de refrigerantes, porém, reduziu significativamente, de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024. Letícia Cardoso alerta, no entanto, que houve leve aumento nos dois últimos anos, reforçando a necessidade de ações contínuas para reduzir o consumo dessas bebidas.
Qualidade do sono
Pela primeira vez, o Vigitel avaliou a qualidade do sono da população brasileira. A pesquisa revelou que 20,2% dos adultos nas capitais dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam ao menos um sintoma de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) do que homens (26,2%).
“O sono insuficiente e de baixa qualidade preocupa porque está diretamente relacionado ao ganho de peso, obesidade, agravamento de doenças crônicas e saúde mental”, destacou Letícia Cardoso. Segundo ela, equipes de atenção primária devem intensificar questionamentos sobre hábitos de sono para orientar melhor a população.
O levantamento reforça a importância de políticas públicas de saúde que promovam alimentação saudável, prática de exercícios e qualidade do sono, fundamentais para a prevenção de doenças crônicas e a manutenção do bem-estar da população.
Por Gazeta Brasil