Polícia
Homem que matou e colocou moedas na boca de empresária morre na prisão
O homem que confessou a morte da empresária Barbara Denise Folha de Oliveira, encontrada com moedas nos olhos, na boca e em outras partes do corpo em São Vicente, no litoral paulista, foi achado morto na cela do presídio onde estava preso.
O que aconteceu
Manoel Ferro de Melo, 38, foi encontrado morto na cela que ocupava sozinho na Penitenciária de Tupi Paulista, interior do Estado. Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), a ocorrência foi registrada na sexta-feira (3). A pasta informou que acionou a perícia, registrou boletim de ocorrência e comunicou os familiares.
A causa da morte ainda não foi divulgada. Em nota, a SAP disse apenas que instaurou apuração para esclarecer o caso. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a dinâmica da ocorrência.
Manoel era o ex-companheiro de Barbara, morta em janeiro no apartamento onde vivia, no bairro Samaritá, em São Vicente. A Polícia Civil disse à época que a cena chamou atenção por fugir do padrão habitual de homicídios. Segundo a investigação, havia moedas nos olhos, na boca e em outras partes do corpo da vítima, além de objetos espalhados pelo imóvel, sem sinais clássicos de luta corporal ou desordem.
A investigação apontou que Barbara foi morta por asfixia e que a cena havia sido montada após a morte. O delegado Rogério Pezzuol, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Vicente, afirmou à época que a disposição do corpo e dos objetos chamou a atenção dos investigadores desde o início. Um vídeo gravado um dia antes do crime, em que Barbara pedia para o ex-companheiro deixar o imóvel, também passou a integrar a apuração.
Mitologia grega
Em depoimento, Manoel disse que parte da cena remetia à mitologia grega. De acordo com a Polícia Civil, ele associou as moedas colocadas nos olhos da vítima a Caronte, o “barqueiro” da tradição greco-romana. O delegado afirmou, no entanto, que a polícia descartava relação com ritual religioso ou prática organizada.
A polícia também atribuiu o gesto a rancor e vingança. Segundo Pezzuol, Manoel disse ter colocado moedas na boca e em partes íntimas da ex-companheira após falas dela sobre dinheiro e a recusa em manter um relacionamento com ele. A Polícia Civil aguardava o laudo necroscópico para avaliar eventual imputação de outros crimes além do feminicídio, como tortura antes da morte ou vilipêndio de cadáver.
A mãe de Barbara interpretou a cena como um “recado” ligado a conflitos financeiros e ao relacionamento. Edileia Moreira Folha disse que não via relação com ritual, mas com cobranças e ressentimento do ex-companheiro. Ela também relatou que foi a primeira pessoa a encontrar o corpo da filha no apartamento.
Barbara tinha 34 anos e era dona de uma clínica de bronzeamento em São Vicente. Segundo a mãe, ela era uma mulher expansiva, vaidosa e de personalidade forte. O estabelecimento funcionava no bairro onde morava e era frequentado por clientes da região.
Por UOL
