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Mudança permite uso do próprio sangue em procedimentos médicos, mas mantém proibição de doações de terceiros
As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em sua orientação sobre o uso de sangue em tratamentos médicos. A nova diretriz permite que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos específicos, desde que ele seja previamente coletado e posteriormente reinfundido no organismo.
A mudança foi comunicada por Gerrit Lösch, que destacou que a decisão sobre o uso do próprio sangue deve ser individual. Segundo ele, cada membro pode avaliar, com base na própria consciência, como lidar com esse tipo de procedimento em contextos médicos e cirúrgicos.
Apesar da flexibilização, permanece a proibição de transfusões com sangue de outras pessoas — uma posição histórica do grupo, fundamentada na interpretação de textos bíblicos que orientam a abstenção do sangue.
De acordo com dados divulgados pela própria organização, o movimento reúne cerca de 9 milhões de seguidores em todo o mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.
A atualização, no entanto, não encerrou debates sobre o tema. Ex-integrantes da religião, como Mitch Melon, avaliam que a mudança ainda é limitada, especialmente em situações de emergência. Ele aponta que casos de perda intensa de sangue ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer, continuam sem contemplar a possibilidade de transfusão com sangue doado.
O tema também já foi alvo de decisões judiciais. Em Edimburgo, um tribunal autorizou, no ano passado, que médicos realizassem transfusão em uma adolescente de 14 anos, mesmo sem consentimento, caso o procedimento fosse necessário para salvar sua vida.
Na decisão, a juíza Lady Tait considerou que a medida atendia ao melhor interesse da paciente, levando em conta o risco à vida, ainda que respeitando suas convicções religiosas.
A organização reforçou que, apesar da atualização, a crença sobre a santidade do sangue permanece como um princípio central da fé.
Fonte: Voz da Bahia