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Sem a mãe no casamento, noiva deixa a festa e vai de vestido ao hospital

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Foto: Maykol Nack
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Por Kelley Alves

Foram meses conversando sobre cada detalhe do casamento. A escolha do vestido, as empresas contratadas, os preparativos e tudo o que faria parte do grande dia. Por isso, quando Katiúscia Karin Andrade Lessa, de 41 anos, se casou no último sábado (8), em Gravatal (SC), uma ausência foi sentida do início ao fim: a da mãe.

Terezinha Sueli Andrade está internada desde 31 de julho no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, para tratamento cardíaco. A esperança da família era de que ela pudesse receber alta antes da cerimônia. Isso não aconteceu e, depois da festa, Katiúscia e o marido, Aleir Junior Weiss Lessa, de 40 anos, ainda vestidos de noivos, foram ao hospital surpreendê-la.

A relação entre mãe e filha ajuda a explicar o significado daquele encontro. Katiúscia define Terezinha como amiga e companheira. Durante a organização do casamento, era com ela que compartilhava as decisões.

“Ela mesma diz que sou a parceira dela. Eu conversava sobre tudo, contava os detalhes, as empresas que estávamos contratando e falei sobre a escolha do vestido”, conta.

A esperança de ter a mãe na cerimômia

Terezinha foi internada pouco mais de uma semana antes do casamento. Mesmo assim, Katiúscia acreditava que a mãe conseguiria ie ao casamento.

A expectativa era de que o cateterismo e uma angioplastia resolvessem o problema e permitissem a alta até o sábado. Após o procedimento, porém, a angioplastia não pôde ser realizada e veio a indicação de cirurgia.

A proximidade da data não deixou espaço para mudanças nos planos. Katiúscia não pensou em adiar o casamento, mas conta que foi difícil seguir com a celebração enquanto a mãe permanecia internada.

“Fiquei muito triste, me culpei. Em uma confissão, o padre me acalmou e me fez entender que a vida não está nas nossas mãos”, lembra.

O buquê que a mãe seguraria

A ausência ficou ainda mais evidente dentro da igreja. Katiúscia sentiu falta de ver a mãe entrando para a cerimônia e de tê-la ao lado durante a bênção.

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Havia também um pequeno gesto planejado entre as duas.

No momento da troca das alianças, Terezinha ficaria com o buquê da filha.

“Não ter o registro dela entrando na igreja doeu bastante. Eu iria dar o meu buquê para ela segurar no momento das alianças e, quando não tinha ela ali ao meu lado, me senti até perdida”, conta.

A falta da mãe tinha um significado ainda maior para Katiúscia. O pai morreu há mais de 20 anos e, naquele dia, Terezinha seria a presença familiar mais importante ao lado da filha.

Uma surpresa depois da festa

Foi uma amiga quem levantou a possibilidade de aproximar mãe e filha naquele dia. A primeira ideia era fazer uma chamada de vídeo. Se Terezinha estivesse no quarto e tivesse condições, porém, havia outra opção: ir pessoalmente ao hospital.

Katiúscia escolheu ir.

A mãe não foi avisada. Antes de sair de Gravatal, os noivos entraram em contato apenas com o hospital para pedir autorização e saber quais cuidados deveriam ser tomados por causa da condição cardíaca de Terezinha.

Ainda com o vestido de noiva e o traje usado na cerimônia, Katiúscia e Aleir chegaram ao HNSC.

Quando a porta se abriu, Terezinha não esperava encontrar a filha daquela maneira.

“Nos emocionamos muito. Ela falou que eu estava muito linda e eu disse que precisava ir até lá para ter uma foto com ela”, lembra.

O fotógrafo Maykol Nack, responsável pela filmagem, acompanhou o casal e registrou o encontro. Para Katiúscia, porém, o que ficou mais forte não foi exatamente aquilo que as câmeras conseguiram guardar.

“Foi o que sentimos quando nos vimos. Ela não esperava a visita. Ter permitido que ela me visse vestida de noiva foi a melhor sensação para mim.”

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