Geral
PF teria monitorado Mendonça, Toffoli, Nunes Marques e Fux
A crise envolvendo a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos nesta quinta-feira (10), após a revelação de que setores de inteligência da corporação teriam produzido relatórios internos envolvendo quatro ministros da Corte.
Além de André Mendonça, aparecem entre os integrantes do STF citados nos levantamentos os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. A informação amplia a repercussão do caso e levanta novos questionamentos sobre a atuação da inteligência da PF e os objetivos dos documentos produzidos.
O episódio veio à tona após Mendonça denunciar que teria sido monitorado de maneira irregular e adotar medidas contra integrantes da direção da Polícia Federal.
A descoberta de que outros ministros também teriam sido alvo de levantamentos internos aumentou a pressão sobre a corporação para esclarecer quais setores participaram da elaboração dos relatórios, por determinação de quem eles foram produzidos e qual era a finalidade das informações reunidas.
O caso passou a ser acompanhado de perto pelo Supremo Tribunal Federal, diante da possibilidade de que integrantes da própria Corte tenham sido incluídos em levantamentos realizados pela estrutura de inteligência da Polícia Federal.
Até o momento, permanecem dúvidas sobre a origem dos documentos, as circunstâncias em que foram produzidos e se os levantamentos tinham relação com investigações oficiais ou se ocorreram fora dos procedimentos regulares.
O STF aguarda esclarecimentos formais da Polícia Federal sobre a produção dos relatórios e os protocolos adotados pelos setores responsáveis pela atividade de inteligência.
A situação aumenta a tensão entre duas das principais instituições responsáveis pela investigação e pelo julgamento de casos de grande repercussão no país, enquanto autoridades buscam esclarecer a extensão e a legalidade da atuação da inteligência da PF.
Bruno Solis/Folha do Estado.