Polícia
Pastores são indiciados por estupro de adolescentes
Antes vistos como líderes religiosos, agora são investigados por uma série de crimes graves. A Polícia Civil de Roraima indiciou, nesta quarta-feira (16), os pastores Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, acusados de usar a estrutura de uma igreja em Boa Vista, Roraima, para cometer abusos contra adolescentes.
Segundo a investigação, o casal responderá por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. As apurações apontam que os suspeitos se aproveitavam da confiança conquistada junto aos fiéis e da influência religiosa para manipular as vítimas e manter os crimes em segredo.
O caso começou a ser investigado em abril deste ano, após o responsável por uma adolescente de 14 anos procurar a polícia e registrar um boletim de ocorrência. A partir da denúncia, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente reuniu depoimentos, documentos e outras provas que levaram à identificação de seis vítimas ao longo do inquérito.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados utilizavam argumentos ligados à fé para exercer controle psicológico sobre as adolescentes. Em alguns casos, também ofereciam dinheiro em espécie, transferências via Pix e outros benefícios para impedir que os abusos fossem denunciados.
A delegada Kamilla Basto, responsável pela investigação, destacou que a apuração foi dificultada pela forma como os suspeitos exploravam a confiança e a vulnerabilidade espiritual das vítimas. Segundo ela, o ambiente religioso foi usado como instrumento de manipulação e silenciamento.
As investigações também identificaram a participação de uma mulher de 20 anos, suspeita de apagar provas armazenadas no celular de Wenderson. Ela foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
Com o avanço das investigações, outras cinco adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a polícia relatando episódios semelhantes. Ao todo, 11 possíveis vítimas foram identificadas. Entretanto, cinco delas decidiram não prestar depoimento formal, apesar dos indícios levantados pela polícia.
Além dos crimes já mencionados, Wenderson também foi indiciado por favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual e falsidade ideológica. Arielly responderá por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
O inquérito já foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Roraima. A autoridade policial também solicitou a prisão preventiva dos dois investigados. O caso seguirá sob análise do Poder Judiciário.
(Com informações da CNN)