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Pastora que denunciou violência sexual e uniu até Janja e Michelle: ‘Não penso o tempo todo se é de direita ou esquerda’

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Reprodução TV Gideões/YouTube
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A pastora Helena Raquel conseguiu unir apoios que vão da primeira-dama Janja da Silva à sua antecessora, Michelle Bolsonaro, após realizar uma forte pregação pelo combate à violência sexual e doméstica nas igrejas evangélicas, durante o Congresso dos Gideões, em Camboriú (SC).

Usando como referência o texto bíblico Juízes 19, um violento relato de uma mulher violentada que fica desamparada, Raquel denunciou a presença de agressores entre pastores e fiéis e, sobretudo, a cultura de acobertamento dessas violências dentro das igrejas.

Com 34 anos de experiência como pregadora, ela conta em entrevista à BBC News Brasil que esse culto foi motivado por um chamado espiritual após receber, ao longo do tempo, por meio de suas redes sociais, mensagens de mulheres perdidas sobre como reagir às agressões, que se resignavam em orar por uma melhora do parceiro.

“A maior parte eram mulheres que queriam continuar esperando, que queriam um milagre”, disse.

“Eu não acredito que nenhuma mulher agredida deva ficar unicamente na oração. Desde a primeira agressão, tem que haver denúncia”, reforça.

A repercussão lhe rendeu projeção nacional e mais de 300 mil novos seguidores no Instagram, superando a marca de 1,8 milhão. E também gerou reações negativas.

O pastor Silas Malafaia disse apoiar a orientação da pastora para que mulheres religiosas denunciem agressores, mas contestou que o problema seja abafado nas igrejas. Segundo Malafaia, generalizar o problema seria uma “safadeza, no ano eleitoral, para nos denegrir”.

Helena também sofreu questionamentos por seguir, nas redes sociais, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ), que desponta como principal concorrente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.

À BBC News Brasil, a pastora disse que não pretende usar sua projeção para influenciar votos na eleição presidencial deste ano. Ela prefere, diz, ser usada por Deus para influenciar “direita, esquerda e até o centrão”.

“Eu tive uma direção divina, preguei uma palavra, repercutiu maravilhosamente e eu estou tendo a oportunidade de ampliar minha fala sobre coisas que eu venho falando há muitos anos e estou aproveitando isso da melhor maneira possível”, reforça.

“Eu não estou o tempo todo pensando: ‘É a direita que falou? É a esquerda que falou? Isso faz sentido?’. Por isso que eu tenho dificuldade de me resumir politicamente. Quando me perguntaram assim: ‘a senhora é o quê, conservadora?’. Eu falei: ‘eu sou bíblica'”, disse ainda.

Por outro lado, Raquel defende o direito dos evangélicos de estarem na política e critica quem manda os religiosos “voltarem aos púlpitos”.

“Eu acredito que esse lugar [a política] é muito importante. E me incomoda perceber que, algumas vezes, querem nos tratar como pessoas de outra categoria”.

“Quando o nazismo se tornou nazismo, começou com discursos pequenos, repetidos, sobre o desvalor de seres humanos. Como do tipo: ‘evangélico não deveria votar'”, compara.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – No congresso dos Gideões, a senhora disse que estuda esse texto bíblico há 13 anos, mas que só neste ano veio ao seu coração fazer essa pregação. Por que agora?

Pastora Helena Raquel – Esse texto ficou guardado no meu coração como um texto que eu precisava me aprofundar na leitura, porque ele é pouco pregado, justamente por sua complexidade, e também pelo peso de crueldade da narrativa do que aconteceu ali. Esse ano, eu tive o direcionamento de Deus de que eu deveria acelerar um pouquinho as minhas anotações, porque era ele que eu ia pregar. E foi isso que fiz.

BBC News Brasil – Essa mensagem partiu de alguma experiência pessoal que a impactou?

Pastora Helena Raquel – Eu sou pastora, esposa de pastor, em uma igreja na Baixada Fluminense, então, a gente acaba tendo algumas vivências e também ouvindo histórias, não necessariamente dentro da nossa comunidade. Unido a isso, eu tenho uma presença bem participativa nas redes. Então, abro caixinhas de perguntas sempre e apareciam relatos.

No sentido de violência, a maior parte eram mulheres que queriam continuar esperando, que queriam um milagre, que já tinham tentado várias vezes, já tinha dado chances. No sentido de crianças, era normalmente histórias do passado, onde a menina disse “até hoje não perdoei o meu pai, eu tenho que conviver com essa pessoa e tal”.

Então, a existência desse drama foi o que me impeliu, a partir da oração, sendo muito franca, não posso dizer para você que eu pensei tecnicamente. E esses dados, desses sofrimentos, me incomodaram e me fizeram encorajar pra dizer: “Igreja, a gente precisa fazer alguma coisa no contexto geral”.

E dizer àquelas mulheres em tempo real: “não fica só orando”. Eu não disse: “não ore nunca mais”. Eu disse: “Então, você já orou. Agora pare e vá denunciar”. E sendo muito franca com você, eu não acredito que nenhuma mulher agredida deve ficar unicamente na oração no ato da primeira agressão.

Desde a primeira agressão, tem que haver denúncia. Agora, a partir daí, eu não consigo legislar se ela não deve perdoar ou alguma coisa desse tipo. Mas o meu aconselhamento é: denuncie, busque um lugar seguro e não aceite desculpas, porque dificilmente acontece uma vez só.

BBC News Brasil – Denúncias de violência sexual existem em diferentes instituições religiosas. A Igreja Católica enfrenta escândalos de pedofilia, por exemplo. Por que isso acontece no ambiente religioso?

Pastora Helena Raquel – Então, eu acredito que não reflete a maioria. Acredito piamente na boa vontade da maior parte das pessoas que estão ali servindo. E não acredito nisso apenas com a Igreja Evangélica, acredito também com a Igreja Católica.

Agora existem essas infiltrações e acabam ganhando espaço, esses oportunistas, por causa do lugar de confiança que tem um indivíduo que está em um lugar de liderança em uma religião. Então, as pessoas pensam: “É confiável, eu posso deixar o meu filho acompanhá-lo porque estou deixando com o padre. Eu estou deixando com o pastor. Estou te deixando com um líder de louvor, então isso não vai acontecer”.

Acredito que o [motivo] número um esteja ligado a esse lugar que inspira na extrema confiança. E, em segundo lugar, o alcance das religiões em áreas periféricas, onde, de forma potencial, nós estamos diante de pessoas que já sofrem uma série de questões em torno da sua própria vida. A Igreja Evangélica chegando, a Igreja Católica chegando, sacode, ajuda, oportuniza, a mente de pessoas mudam, mas também, ao haver um indivíduo corrupto, maligno, ele está em um lugar aonde ele vai tentar se beneficiar de alguma maneira.

A gente precisa lidar com esse grande problema, sim, precisa fazer alguma coisa contra isso.

BBC News Brasil – Sua mensagem recebeu apoio da primeira-dama Janja e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Como recebeu esses apoios da esquerda e da direita?

Pastora Helena Raquel – Eu vejo com muita alegria. Para começar, eu não sou ativista política. Andaram pesquisando as pessoas que eu posso seguir [nas redes sociais] por afinidade, ou convivência, e por aí vai… Mas eu não sou ativista, eu sou pastora, eu sou líder, eu sou mulher. Então, quando eu vejo a ex-primeira-dama Michelle, que é uma pessoa queridíssima, é uma pessoa com quem eu já tive algumas pequenas experiências, como por exemplo, no luto da minha mãe, [ela me] enviar uma coroa de flores, um momento em que a gente está ali extremamente debilitado, dizendo “poxa, legal” [sobre a minha pregação], pra mim isso é excelente.

Mas, quando eu vejo a primeira-dama atual, Janja, fazer isso também, pra mim tem um valor incrível. Primeiro, pelo alcance dela, pela influência em relação a outras mulheres, e porque eu percebo que as duas conseguiram compreender que a questão não é religiosa apenas, é humanitária. E quando a questão é humanitária, não tem por que a gente avaliar o que o outro disse pelo viés político. Você precisa avaliar o que o outro disse pela urgência que o tema tem.

É assim que eu faço a leitura do mundo. Eu não estou o tempo todo pensando: “É a direita que falou? É a esquerda que falou? Isso faz sentido?”. Por isso que eu tenho dificuldade de me resumir politicamente. Quando me perguntaram assim: “a senhora é o quê, conservadora?”. Eu falei: “eu sou bíblica”. Então, se em algum momento o que está sendo defendido passa pela Bíblia, eu digo “ótimo”. Se não passa, pode ser até meu pai, eu vou dizer “tá ruim”. É simples.

BBC News Brasil – A igreja evangélica tem forte presença na política brasileira. Como vê a relação entre igreja e política?

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Pastora Helena Raquel – Eu acredito que esse lugar é muito importante. E me incomoda perceber que, algumas vezes, querem nos tratar como pessoas de outra categoria. “Volte pro púlpito, volte para o seu lugar”. É mais ou menos um discurso que alguns deles criticam quando dizem assim: “lugar de mulher é na cozinha, lugar de mulher é no tanque”. Mas esses que acreditam ser uma agressão dizer “lugar de mulher é no tanque, na cozinha”, que realmente não é [o lugar da mulher] unicamente, também dizem para nós, pastoras, para nós líderes: “o lugar de você é na igreja, você não tem que se meter em política”. Então, acredito que, nesse ponto, a Igreja marcar presença é muito valioso.

A questão é a Igreja se manter bíblica e não partidária, porque, no momento em que a gente perde a noção de qual é a nossa principal bandeira, a gente tem risco de se perder. Então, eu, Helena Raquel, cidadã, tenho voto, pago impostos, então posso ter opinião política e posso conversar com as pessoas do meu círculo sobre isso. Agora, se eu, Helena Raquel, defendo cegamente um partido ou um segmento político, aí eu perco esse lugar de representatividade de Cristo que a Igreja tem na Terra.

É disso que eu discordo tanto quanto discordo quando dizem para mim “volta lá para o púlpito e não vem falar de política aqui não”. E olha que eu nem sou ativista. Eu sou uma pessoa que opina em uma coisa ou outra e, ainda assim, [ouço falarem] “tô deixando de seguir agora porque eu não sabia que você também falava de política”. Ora, se eu falo até de como faz macarrão na panela de pressão, por que eu não vou falar sobre assuntos relevantes para a minha vida e a dos outros?

BBC News Brasil – A senhora falou que é importante o evangélico estar na política, mas que não deveria ser partidário. Só que, para estar na política institucional, tem que estar em partido. Há, por exemplo, uma bancada evangélica no Congresso. Como vê essa atuação política, que passa por partidos necessariamente?

Pastora Helena Raquel – Enquanto membro da Igreja, eu não vejo nenhuma dificuldade em entender que uma pessoa possa ser eleita, e, inclusive, considero saudável. A questão é que envolvamos a Igreja em uma questão partidária de “todos nós aqui obrigatoriamente pensamos da mesma maneira ou defendemos a mesma pessoa”. E hoje nós estamos mergulhados, enquanto Brasil, num tipo de fanatismo que pode reverberar na Igreja composta de pessoas humanas. E é aí que eu acho que tem que ter um bom limite.

Para muita gente, esse limite está claro. Eu conheço igrejas e pastores que, para eles, é inadmissível coisas que eu até considero possível, como dizer “olha, [o político] fulano de tal está aqui”. Inclusive, na minha igreja, dependendo do partido político, qualquer pessoa que visite dentro disso é apresentado. Mas eu conheço igrejas que nem apresentam.

Eu quero também considerar que [a atuação política dos evangélicos] tem relação com o discurso que existe hoje e que já vem de muitos anos. Algumas vezes a Igreja é vista de um jeito que, se ela também não se posicionar de alguma maneira, tendo a sua representatividade, acaba complicando. Porque, quando o nazismo se tornou nazismo, começou com discursos pequenos, repetidos, sobre o desvalor de seres humanos. Como do tipo “evangélico não deveria votar”. Ou ainda: “Os evangélicos são o pior tipo de gente que eu conheço”. Foi mais ou menos isso [que ouvimos] de uma atriz.

Daqui a pouco alguém começa a matar evangélicos, apedrejar igrejas, estoura perseguições no sentido comunitário-social… Ainda que o governo não esteja dizendo para fazer isso, mas, se ele não nos protege dizendo “não fale assim”, indiretamente esse discurso de ódio ganha força.

BBC News Brasil – Então, considera errada a percepção de uma certa homogeneidade de visão política na Igreja? Há uma pluralidade de posicionamentos?

Pastora Helena Raquel – Eu agora vou dizer empiricamente, não tenho pesquisa: eu percebo uma identificação bem maior com a direita entre os crentes. Eu não tenho dados, estou falando de ouvido, até porque eu sou membro de uma igreja no Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro não é o Brasil todo.

Agora, no sentido de política em si, aquém da questão plural, existem igrejas que sequer querem falar sobre o tema. Então, a ideia de que estamos todos nós enfileirados [de um mesmo lado político]… Não, não, não. Agora, quem está também tem esse direito como cidadão. Eu não estou em um ato de manifestação [política] porque não tenho nem jeito pra algumas coisas, eu acho.

Eu acredito que existem pautas justas que podem levar pessoas a querer se manifestar de forma correta. Agora, muitas igrejas não querem nem ouvir sobre nada disso. Sem contar que, na ponta, o que realmente as pessoas querem ouvir é sobre saúde, é sobre emprego, é sobre transporte, é sobre educação. Nós temos hoje crentes que fazem viagens de duas horas de ônibus simplesmente para voltar para casa. Digo crentes, mas óbvio que a população [de forma geral]. Tem pessoas que estão há meses esperando para fazer um exame médico, e essas dores gritam e acabam fazendo com que a preocupação primordial de quem está em sofrimento seja sanar essas dores.

BBC News Brasil – Na pregação que viralizou, a senhora diz que, mesmo o Estado sendo laico, coisas incríveis podem acontecer se a igreja somar forças com o Estado. Como é possível fazer essa união sem ferir o princípio do Estado laico e em respeito aos que têm outras crenças ou não têm religião?

Pastora Helena Raquel – Eu acredito que isso, sobretudo, se dê em questões de medidas sociais. Até porque ali [nesse momento da pregação] eu começo a falar sobre a minha filha [adotiva], que chegou na minha vida há nove meses, e aí eu digo: “Olha, a Igreja chegou onde o Estado não chegou”. Mas depois, na mesma hora, eu tenho a consciência de lembrar que ela estava em um abrigo. E que esse abrigo, embora tenha uma direção evangélica, tem uma parceria com o Estado. Tanto que, embora ela não era uma menina evangélica, quando ela foi acolhida, levaram ela para um abrigo evangélico.

Então, eu acredito nisso: comunidades, cursos profissionalizantes, saúde, trabalhos de capelania. Olha o que eu conheço de missionários fazendo coisas fantásticas, histórias maravilhosas pelo Brasil, de resgate de crianças, de trabalhos com pessoas em comunidades carentes. Então, eu quis dizer nesse sentido, não pra que o Estado diga “só os cristãos vão participar” ou para que o Estado diga “não, isso aqui é um acesso que tem que haver uma confissão cristã para que você possa…”. Não, isso já não deu certo anos atrás, com a Igreja Católica, a gente não quer voltar pra isso.

O que a gente quer é contribuir… Por exemplo, existem comunidades no Rio de Janeiro que, para a polícia entrar, para um carro, de repente, de uma repartição, de um Ministério de Saúde entrar, é mais difícil, mas a Igreja Católica entra, a Igreja Evangélica entra, o centro espírita entra. Então, eu acredito que, nesse sentido, a gente consegue trabalhar juntos.

BBC News Brasil – A senhora já disse que não descarta ser candidata no futuro. Poderia explicar melhor seus planos?

Pastora Helena Raquel – Sabe em que sentido eu não descarto? No sentido de saber que a minha vida é totalmente de Deus. Eu não tenho nenhum plano. E acredito até que eu não seja essa pessoa aguerrida para eleições, mas a minha vida está nas mãos de Deus. Eu não gostaria de dizer “eu nunca serei” e amanhã faltar com a minha palavra empenhada. Então, eu prefiro dizer: “não sei”.

Agora, uma coisa eu já decidi e já está muito clara para mim: esse ano não [serei candidata]. Existem teorias da conspiração, inclusive: “ó, ela está querendo trazer o pessoal da esquerda para votar na direita”. E aí dizem na direita: “ó, cuidado, ela tá indo pra esquerda”. Loucura. Eu tive uma direção divina, preguei uma palavra, repercutiu maravilhosamente e eu estou tendo a oportunidade de ampliar minha fala sobre coisas que eu venho falando há muitos anos e estou aproveitando isso da melhor maneira possível. É apenas isso.

BBC News Brasil – Pretende se envolver de alguma forma ou apoiar algum candidato na eleição de 2026?

Pastora Helena Raquel – Então, até a mensagem [vitalizar], eu tinha pretensão de apoiar dois cargos: deputado estadual e deputado federal. Estadual, pensando na cidade onde eu sou pastora. Eu acredito que, se a gente conseguisse ter um deputado feito pela nossa cidade, ele conseguiria ajudar um pouco mais nossa comunidade, a Baixada Fluminense em si. E deputado federal, como é uma coisa menos polarizada, embora extremamente importante, também faria muito sentido pra mim.

Mas, nesse momento, eu já repenso, porque, se isso de alguma maneira for impedir o que Deus está fazendo através da minha vida, eu abdico de fazer público meu voto em prol disso. Agora, se eu perceber que não vai ser danoso à minha missão, eu não vejo problemas.

Mas quanto ao que vai ser após isso [a pregação viralizar], realmente, em primeira mão, [eu penso] assim, agora: “eu, não [vou apoiar candidato], Deus me usa aqui pra direita, pra esquerda e tem até o centrão, né?”. Eu estou aqui pra ser usada como pastora, pra entregar a palavra e só isso, mais nada.

BBC News Brasil – Por que a senhora já não queria se envolver na disputa presidencial antes de viralizar com essa pregação?

Pastora Helena Raquel – Porque eu acredito que o tom vai ficar pesado. É difícil a gente falar sobre coisas que parecem hipócritas numa sociedade que está acostumada com outra linguagem. Mas eu sou uma pessoa que já tem uma presença de alguns anos na rede, então, em qualquer vídeo meu, você vai perceber o que estou dizendo: eu não levo jeito pra agressividade. A minha agressividade, entre aspas, é toda de púlpito, com verdade, pregar a Bíblia, falar “Deus vai fazer, temos que mudar isso”.

Mas, quando eu percebo que eu vou ter que dizer algumas coisas sobre o outro, que de alguma maneira vai ter que ser naquele tom mais aguerrido, porque a minha suspeita é que vão colocar [um tom mais agressivo na campanha] dos dois lados, eu não me sinto confortável, porque eu não sou essa pessoa.

Então eu prefiro falar com os membros da nossa igreja, conversar com os nossos amigos, inclusive ouvir o contraditório. Tem pessoas que estão perto de mim que não pensam como eu politicamente. E por aí eu vou. Eu sinto que o meu lugar será mais saudável de ajuda se eu conseguir influenciar profeticamente e não dizendo “oh, [vote] aqui ou ali”.

BBC News Brasil – O pastor Silas Malafaia disse que a mensagem da senhora estaria sendo usada para atacar a Igreja em ano eleitoral e que seria errado generalizar que pastores protegem espancadores de mulheres e pedófilos. Como recebe essa reação do pastor?

Pastora Helena Raquel – Eu não me sinto confortável em falar sobre alguém que eu estimo, que eu respeito. Mas acredito que ele não disse isso sobre a minha fala. Ele disse sobre o uso desta fala por outras pessoas. Infelizmente, acontecem apropriações de discurso para generalizar, e a Igreja não pode ser generalizada, como eu acredito que nenhuma outra religião, nesse aspecto, de ter entes dentro dela que se comportem de forma errada e criminosa.

BBC News Brasil – A senhora se considera feminista? E como vê o movimento feminista?

Pastora Helena Raquel – Eu não me considero feminista. Acredito que, para eu falar um pouco melhor sobre esse tema, eu preciso me aprofundar mais. Eu poderia dizer para você, de modo inicial, aquela resposta mais rápida “não, eu não sou feminista e isso e aquilo”, mas eu procuro ser honesta com as questões.

Eu até estava me lembrando que adquiri um curso virtual, algum tempo atrás, sobre esse tema, e eu nunca avancei. A gente ouve, de modo geral, que existem ganhos no movimento feminista. Eu preciso conhecer mais para de fato poder discorrer sobre o assunto.

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