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Os itens pessoais que Senna deixou de lembrança para Adriane Galisteu
Nesta sexta-feira, 1º de maio, completam-se 32 anos da morte de Ayrton Senna, maior nome da Fórmula 1 brasileira e um dos pilotos mais marcantes da história do automobilismo. O tricampeão mundial morreu em 1994, após um grave acidente durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália, em um episódio que causou comoção mundial e paralisou o Brasil.
Mais de três décadas depois, a memória de Senna segue viva não apenas por sua trajetória nas pistas, mas também pelas histórias pessoais que ainda emergem sobre sua vida fora delas. Uma dessas lembranças voltou ao centro das atenções com o lançamento do documentário ‘Meu Ayrton por Adriane Galisteu’, produção da HBO Max que estreou no fim de 2025, em que a apresentadora revisita seu relacionamento com o piloto e fala sobre os últimos meses ao lado dele.
Galisteu, que tinha 20 anos quando Senna morreu, namorava o piloto havia cerca de um ano e meio na ocasião da tragédia. No documentário, ela descreve a relação como um “conto de fadas com final trágico” e também relembra as dificuldades enfrentadas após a morte abrupta do tricampeão.
Relíquias de Senna
Durante o evento de lançamento da produção, em São Paulo, a apresentadora contou que ficou com poucos objetos pessoais deixados por Senna, itens que hoje funcionam como relíquias afetivas e ajudam a reconstruir a intimidade de uma relação que, segundo ela, muitas vezes foi reduzida ou apagada ao longo dos anos.
“Além de um Fiat Uno (carro), que está guardado na minha garagem, ele deixou os meus óculos escuros, que aparecem na maioria das cenas do documentário. Ayrton também deixou comigo uma cueca, uma escova de dentes e um pijama”, disse Adriane Galisteu em uma coletiva de imprensa.
Entre esses objetos, um dos mais simbólicos é justamente o par de óculos escuros usado por ela em diversas cenas do documentário. O acessório aparece como uma espécie de elo visual entre passado e presente, reforçando o caráter íntimo e memorial da produção.
O Fiat Uno Mille 1993 prata, citado por Galisteu como um presente de Senna, também permanece guardado em sua garagem. O carro popular já havia sido mostrado anteriormente pela apresentadora em uma reportagem exibida pelo SBT, quando ela entrou no veículo acompanhada do jornalista Roberto Cabrini.
Dinheiro
Além dos objetos físicos, o documentário também aborda aspectos financeiros da relação entre os dois. Galisteu revelou que Senna havia aberto uma conta bancária para ela durante o relacionamento e que fazia depósitos mensais de cerca de R$ 6 mil para sua mãe, Ema Galisteu. A intenção, segundo ela, era permitir que a então namorada não precisasse trabalhar e pudesse acompanhá-lo durante a temporada da Fórmula 1.
Após a morte do piloto, porém, ela descobriu que não teria mais acesso a esse dinheiro, conforme repercute o portal Splash, do UOL.
“Eu tinha um cartão de banco, de uma conta que ele abriu para mim. Após a morte do Ayrton, eu liguei no banco e descobri que não tinha mais esse cartão. Ficou por isso mesmo. Eu pensava: ‘Esse dinheiro nunca foi meu’”, disse Galisteu no documentário.
Resposta à Senna?
A produção chegou ao streaming menos de um ano depois do lançamento de ‘Senna’, série ficcional da Netflix apoiada pela família do piloto. Na ocasião, a obra gerou críticas por dedicar pouco espaço à relação entre Senna e Adriane Galisteu, interpretada pela atriz Julia Foti.
Mesmo assim, a apresentadora reforçou que seu documentário não surgiu como uma resposta à produção anterior nem como tentativa de alimentar polêmicas. “Não é nenhum tipo de polêmica. Esse documentário não é uma resposta. […] Não sou uma mulher que julga o que você faz comigo. Minha mãe me ensinou que eu não preciso dizer que o dos outros está errado. Basta defender que o meu está certo”, disse Galisteu em coletiva de imprensa.
Segundo ela, o principal objetivo da obra é apresentar uma faceta mais íntima e humana de Ayrton Senna, distante da imagem exclusivamente heroica construída em torno de sua carreira esportiva. “Todos sabem que ele era um herói nas pistas, e todas as produções são muito válidas e merecidas. Ninguém tratou o Ayrton como um herói sem capacete, e vocês também precisam saber do tamanho do coração deste homem.”
Galisteu também afirmou que somente ela poderia contar essa parte da história, por ter vivido os últimos 18 meses da vida do piloto ao seu lado. “Para contar essa história, tinha que ser eu. Eu estava lá, ao lado, nos últimos 18 meses da vida dele. Não tem como isso ser apagado. Por mais que contem histórias que passem por cima disso, de um jeito ou de outro, fui em quem vivi uma história como namorada e mulher ao lado dele. É uma história muito minha“, disse Galisteu em coletiva de imprensa.
Ao revisitar essas memórias, o documentário reforça que, além do ídolo nacional que mobilizou milhões de brasileiros, Ayrton Senna também foi uma figura íntima e afetiva na vida de pessoas próximas. E, passados 32 anos de sua morte, pequenos objetos como um carro, um óculos escuro ou até uma escova de dentes seguem funcionando como fragmentos concretos de uma ausência que ainda mobiliza o imaginário coletivo do país.
Por Éric Moreira/Aventuras na História.