{"id":90831,"date":"2018-02-20T09:48:57","date_gmt":"2018-02-20T12:48:57","guid":{"rendered":"http:\/\/portaldosilas.com.br\/?p=90831"},"modified":"2018-02-20T09:48:57","modified_gmt":"2018-02-20T12:48:57","slug":"domestica-e-resgatada-apos-oito-anos-de-escravidao-em-mg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldosilas.com.br\/news\/2018\/02\/20\/domestica-e-resgatada-apos-oito-anos-de-escravidao-em-mg\/","title":{"rendered":"Dom\u00e9stica \u00e9 resgatada ap\u00f3s oito anos de escravid\u00e3o em MG"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_90832\" aria-describedby=\"caption-attachment-90832\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/image-2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90832 size-full\" src=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/image-2.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-90832\" class=\"wp-caption-text\">MTE\/MG &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">M.S. era conhecida da fam\u00edlia de sua empregadora havia cerca de 30 anos \u2013 ela e o marido j\u00e1 tinham trabalhado para o pai da patroa em uma fazenda em Itapiru, um distrito de Rubim, no Vale do Jequitinhonha. Quando o marido morreu, M.S. deixou a fazenda e foi trabalhar na casa da conhecida. Oito anos depois, aos 68 anos, ela se tornou a \u00fanica trabalhadora dom\u00e9stica a ser resgatada em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o em Minas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com seu filho, dormia em um c\u00f4modo de 2 m de largura, trabalhava todos os dias da semana, sem folga e sem sal\u00e1rio. \u201cS\u00f3 cabiam duas camas e uma prateleira\u201d, conta o filho da resgatada, que pediu para n\u00e3o ter o nome divulgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje com 22 anos, ele morou por aproximadamente dois anos com a m\u00e3e e tentou alert\u00e1-la sobre a explora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o teve sucesso. \u201cEla n\u00e3o recebia nada. Tudo que a gente comprava na venda do pai da patroa era anotado, e a d\u00edvida n\u00e3o acabava nunca. Se a gente pagava R$ 1.000, devia R$ 2.000. E a mulher ainda enganou minha m\u00e3e e passou a pegar a pens\u00e3o do meu pai\u201d, relata.<\/p>\n<div id=\"showcase-1\" class=\"twelve columns\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dinheiro do benef\u00edcio era usado pela empregadora para comprar comida para a casa. A patroa dava \u00e0 empregada entre R$ 50 e R$ 100 por m\u00eas. Para completar, ainda fez tr\u00eas empr\u00e9stimos consignados em nome da idosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resgate aconteceu em julho de 2017, a partir de uma den\u00fancia an\u00f4nima. \u201cN\u00e3o sei quem foi, mas agrade\u00e7o muito a essa pessoa. Se n\u00e3o fosse isso, minha m\u00e3e ainda estaria l\u00e1\u201d, conta o filho da v\u00edtima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o coordenador do Grupo M\u00f3vel, respons\u00e1vel pelo resgate, Geraldo Fontana, a situa\u00e7\u00e3o de agregados dom\u00e9sticos trabalhando sem sal\u00e1rios \u00e9 comum, mas \u00e9 dif\u00edcil punir, pois as informa\u00e7\u00f5es ficam restritas \u00e0s resid\u00eancias. \u201c\u00c9 muito raro que se fa\u00e7a (um resgate) no ambiente dom\u00e9stico porque voc\u00ea precisa receber uma den\u00fancia. Para esse resgate, em Itapiru, tivemos que conseguir uma ordem judicial. Esses elementos explicam por que o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es em resid\u00eancias \u00e9 t\u00e3o baixo\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontana destaca que a total depend\u00eancia da senhora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 patroa agravava a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cEla morava e comia na casa. Achava que n\u00e3o tinha caminho para romper esse ciclo de explora\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empregadora foi condenada a pagar R$ 72 mil de acerto trabalhista dos \u00faltimos cinco anos, mas firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) e est\u00e1 pagando R$ 5.000. Ela foi multada e os empr\u00e9stimos consignados foram suspensos. A idosa recebeu seguro-desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos autos, a patroa alegou que estava apenas ajudando a mulher, que n\u00e3o tinha onde morar. \u201cEla ter\u00e1 que responder tamb\u00e9m a um processo criminal\u201d, explica o auditor fiscal do Trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz Carlos Haddad, autor de um estudo sobre os desdobramentos dos autos de infra\u00e7\u00e3o, diz que o fato de haver um \u00fanico resgate do tipo se deve n\u00e3o \u00e0 inexist\u00eancia desse tipo de crime, mas a sua invisibilidade. \u201cCulturalmente, \u00e9 aceito que uma pessoa trabalhe em uma casa em troca apenas de moradia\u201d, diz Haddad.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00edvida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mentira.<\/strong>\u00a0Para manter a servid\u00e3o, a patroa alegava que a senhora tinha uma d\u00edvida na venda do pai dela. \u201cO dono me disse que n\u00e3o existia d\u00edvida nenhuma\u201d, conta o auditor Geraldo Fontana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tempo<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M.S. era conhecida da fam\u00edlia de sua empregadora havia cerca de 30 anos \u2013 ela e o marido j\u00e1 tinham trabalhado para o pai da patroa em uma fazenda em Itapiru, um distrito de Rubim, no Vale do Jequitinhonha. 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