{"id":87145,"date":"2017-10-14T10:25:20","date_gmt":"2017-10-14T13:25:20","guid":{"rendered":"http:\/\/portaldosilas.com.br\/?p=87145"},"modified":"2017-10-14T10:25:20","modified_gmt":"2017-10-14T13:25:20","slug":"gordofobia-cresce-no-brasil-e-prejudica-vida-profissional-das-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldosilas.com.br\/news\/2017\/10\/14\/gordofobia-cresce-no-brasil-e-prejudica-vida-profissional-das-vitimas\/","title":{"rendered":"Gordofobia cresce no Brasil e prejudica vida profissional das v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/image-1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-87146\" src=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/image-1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 sobre ser gorda. \u00c9 sobre o peso de se estar acima de um peso\u201d. A frase \u00e9 um trecho da m\u00fasica \u201cCarta \u00e0 Boa Forma\u201d, da cantora paulista Ann\u00e1. O refr\u00e3o prop\u00f5e a aceita\u00e7\u00e3o em meio a uma letra que desafia: \u201cVoc\u00ea sabe o que \u00e9 olhar para o espelho e desejar que aquele corpo n\u00e3o fosse o seu?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cantora mineira Ana Cristina viveu isso na inf\u00e2ncia. \u201cSempre fui a menininha acima do peso e de cabelo crespo, portanto, alvo de implic\u00e2ncias \u2013 na \u00e9poca n\u00e3o se falava bullying\u201d, lembra. E n\u00e3o, os alertas n\u00e3o tinham a sa\u00fade da menina como foco. \u201cEra a imagem que preocupava\u201d. Nos Natais, ela ouvia os apelidos habituais, como \u201cbuj\u00e3o de g\u00e1s\u201d. E, claro, sofria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana \u00e9 exemplo de um preconceito que se tornou mais falado nos dias atuais, embora j\u00e1 esteja em repert\u00f3rio h\u00e1 tempos: a gordofobia, preconceito ou intoler\u00e2ncia contra pessoas gordas que n\u00e3o poupa nem famosas como a cantora Rihanna. Basta digitar o nome dela no Google e j\u00e1 vem o preenchimento autom\u00e1tico: \u201cRihanna gorda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que afetar a autoestima de quem sofre com os ataques de preconceito, a gordofobia tem efeitos mais graves do que se imagina. Eles podem ser sentidos na vida emocional e profissional da pessoa obesa. Uma pesquisa da Universidade Cornell aponta consequ\u00eancias especialmente para as mulheres. As obesas em geral t\u00eam 50% menos chances de frequentar o ensino superior, 20% menos chances de se casar, sete vez mais chances de ter depress\u00e3o e recebem 9% a menos que mulheres n\u00e3o obesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atriz global Mariana Xavier foi v\u00edtima recente do preconceito: ao postar uma foto de calcinha e suti\u00e3, \u201cganhou\u201d, de uma internauta, o emoji \u201cbaleia\u201d. E devolveu: \u201cHoje sou mais gorda, mas tamb\u00e9m mais amada, espiritualizada, bem-sucedida, mais realizada, mais bonita e feliz\u201d. Mas nem todos t\u00eam esse jogo de cintura \u2013 em particular, se s\u00e3o crian\u00e7as. \u201cEssa cobran\u00e7a na inf\u00e2ncia \u00e9 muito cruel\u201d, reafirma Ana Cristina, acrescentando que, no seu caso, ningu\u00e9m a defendia. Na escola, chegou a apanhar por ser gordinha. Mas as armas mais frequentes eram mesmo as palavras. \u201cDiziam que n\u00e3o ia me casar nunca. A\u00ed, entrei no modo nega\u00e7\u00e3o (de si), aceitei isso e virei \u2018vela\u2019 das amigas. Hoje, pelas fotos, vejo que nem era t\u00e3o gorda como me via. Por isso gosto de bater nesta tecla, a de poupar as crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Fabiana Cerqueira endossa: \u201cA inf\u00e2ncia, sabemos, \u00e9 um momento de forma\u00e7\u00e3o, na qual as experi\u00eancias vivenciadas podem deixar marcas no decorrer da vida. E alimentar essa coisa do padr\u00e3o magro, vamos colocar assim, pode ter consequ\u00eancias tr\u00e1gicas, nefastas\u201d. A Universidade da Pensilv\u00e2nia, ali\u00e1s, divulgou, no in\u00edcio do ano, um estudo que atesta que o preconceito sofrido pelas pessoas gordas \u00e9 mais mal\u00e9fico \u00e0 sa\u00fade delas do que a obesidade em si. Al\u00e9m disso, os efeitos da gordofobia tamb\u00e9m podem ser sentidos na vida emocional e s\u00e3o capazes de abalar o psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGorda\u201d\/\u201cGrosse\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ann\u00e1 enfatiza que comp\u00f4s uma outra can\u00e7\u00e3o sobre o tema, \u201cGrosse\u201d (\u201cgorda\u201d, em franc\u00eas\u201d). \u201cFala da minha experi\u00eancia de crian\u00e7a gorda na aula de bal\u00e9, um ambiente muito hostil\u201d, diz ela, lembrando de frases como \u201cCorpos gordos n\u00e3o podem usar sapatilha de ponta, meia cal\u00e7a clara ou collant apertado\u201d. \u201cNem dan\u00e7ar de verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas telas e pap\u00e9is, a intoler\u00e2ncia tamb\u00e9m se reverbera. \u201cAs mulheres que nos mostram n\u00e3o s\u00e3o reais. Para come\u00e7ar, n\u00e3o existe celulite nem pelos em capas de revistas. Tudo isso desencadeia um efeito borboleta de baixa auto-estima. E, da\u00ed, a busca por corpos irreais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Busca que, acrescenta Ann\u00e1, nunca chegar\u00e1 ao fim. \u201cPorque sempre tem que perder um pouquinho na barriga, ganhar um pouco no peito, e por a\u00ed vai\u201d. Com \u201cGrosse\u201d, Ann\u00e1 busca, pois, amenizar essa press\u00e3o. \u201cOu pelo menos mostrar que ela existe e que a gente n\u00e3o precisa se submeter a ela\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um processo, salienta, de dentro para fora. \u201cDe vencer as press\u00f5es externas para descobrir o que realmente \u00e9 bonito dentro de cada uma. N\u00e3o existe um padr\u00e3o de beleza. Existe o seu padr\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 linda do jeito que \u00e9 e ningu\u00e9m mais vai ser igual a voc\u00ea. E n\u00e3o precisa querer ser igual a ningu\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Cristina ressalva: \u201c\u00c9 claro que incentivo a vida saud\u00e1vel e a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas\u201d. Mesmo caso das influenciadoras Larissa Andrade,19, e Ana Luiza Palhares, 22. Larissa, por exemplo, n\u00e3o bebe refrigerantes nem gosta de frituras. Ana Luiza faz academia, zumba e tenta manter a alimenta\u00e7\u00e3o regrada. As duas est\u00e3o com os exames em dia. Ali\u00e1s, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, cerca de 30% dos obesos podem ter perfil metab\u00f3lico e cardiovascular dentro da normalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estranhamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 15 dias, Ana Cristina percebeu o estranhamento de uma crian\u00e7a diante da informa\u00e7\u00e3o de que ela era cantora. \u201cEla me contou que tamb\u00e9m queria ser uma, mas que a m\u00e3e havia dito que, para tal, teria que ser magra. Ando vendo crian\u00e7as de 7, 11 anos, preocupadas em emagrecer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cantora, diga-se, resolveu perdoar as alfinetadas familiares do passado \u2013 embora confesse, de in\u00edcio rindo, que h\u00e1 membros que evita encontrar. \u201cFiz terapia, mas h\u00e1 feridas profundas, que n\u00e3o curam\u201d, diz, agora entre l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiana adverte que o tipo de cr\u00edtica que Ana Cristina vivenciou afeta diretamente, a autoestima. \u201cSe a crian\u00e7a est\u00e1 acima do peso, e se isso \u00e9 apontado como ruim, ela vai se enxergar como uma pessoa ruim, que est\u00e1 fazendo errado\u201d. O que pode ter desdobramentos. \u201cA forma\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as pode ficar abalada. E outro ponto: que rela\u00e7\u00e3o ela vai estabelecer com a comida?\u201d E essa resposta, diz, se dar\u00e1 l\u00e1 na frente, podendo redundar em casos de anorexia, bulimia e at\u00e9 obesidade m\u00f3rbida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018Preciso ir \u00e0 praia de burca?\u2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer coincid\u00eancia o fato de haver dois blogs mineiros que levantam a bandeira da auto-estima e que, no nome, fazem men\u00e7\u00e3o a uma das princesas mais evocadas no imagin\u00e1rio coletivo: Cinderela. Mas, bem: \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 19 anos, a estudante de jornalismo Larissa Andrade \u00e9 o nome por tr\u00e1s do Falsa Cinderela. J\u00e1 Ana Luiza Palhares, 22, que atua na \u00e1rea de marketing, comanda o Cinderela de Mentira. As duas dispensam eufemismos: est\u00e3o, sim, acima do peso. E defendem veementemente o respeito \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBrinco que sou uma Cinderela de t\u00eanis\u201d, diz Ana Luiza, que, como Larissa, tamb\u00e9m disponibiliza v\u00eddeos na web. Foi justamente um desses que deu impulso \u00e0 sua carreira na blogosfera. \u201cEra sobre os clich\u00eas que toda gorda ouve, como: \u2018com um rosto t\u00e3o lindo, por que n\u00e3o emagrece?\u2019. Ap\u00f3s ele, recebi um monte de emails ou mensagens inbox de pessoas que estavam acima do peso e n\u00e3o se aceitavam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Luiza pontua: \u201cVeja, \u00e9 um direito da pessoa n\u00e3o estar satisfeita com seu corpo, mas \u00e9 preciso ver de onde essa insatisfa\u00e7\u00e3o est\u00e1 vindo. Se est\u00e1 se comparando a outras pessoas, se busca um padr\u00e3o imposto pela m\u00eddia&#8230;\u201d. Ali\u00e1s, vale dizer que Ana costuma andar na contram\u00e3o de padr\u00f5es impostos. \u201cO que a moda diz para n\u00e3o usar, vira inspira\u00e7\u00e3o e coragem\u201d. Caso do mai\u00f4 com fundo claro que ela postou. \u201cTeoricamente, eu nunca poderia usar. Mas se formos pensar assim, quem est\u00e1 acima do peso tem que ir \u00e0 praia de burca?\u201d, problematiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas que fique claro: como todo ser humano, Ana Luiza alterna seus dias de gl\u00f3ria com os revezes. \u201c\u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o. Mesmo porque, vivi mais de 20 anos me achando horr\u00edvel\u201d, diz ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falsa Cinderela<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com quase 50 mil seguidores no seu canal, o Falsa Cinderela, Larissa conta que, \u00e0 \u00e9poca que o criou, esse universo ainda n\u00e3o estava descortinado. Ela mesma n\u00e3o tinha uma refer\u00eancia. \u201cHoje, \u00e9 l\u00f3gico que ainda aparecem coment\u00e1rios maldosos. Mas do tipo: \u2018voc\u00ea \u00e9 gorda\u2019. Ora, isso \u00e9 um fato! N\u00e3o me ofende. Sou gorda, ponto. Mas os elogios s\u00e3o incr\u00edveis. Todo santo dia recebo directs no Instagram, e n\u00e3o estou me fazendo de famosinha \u2013 nem tenho tantos seguidores assim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Larissa labuta para que, solidificando a auto-estima de outras garotas que n\u00e3o se enquadram nos padr\u00f5es da sociedade, essas n\u00e3o sofram epis\u00f3dios como o ocorrido quando planejava a sonhada festa de 15 anos. \u201c\u00c9 um clich\u00ea, mas eu queria, e meus pais apoiaram \u2013 mesmo porque, quando jovem, minha m\u00e3e n\u00e3o tinha vivido isso\u201d. Qual n\u00e3o foi a surpresa ao ouvir uma colega de escola comentar: \u201cImagina aquela gorda usando corpete de debutante?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFiquei muito mal e na hora quis cancelar tudo\u201d. O dif\u00edcil foi explicar \u00e0 m\u00e3e a mudan\u00e7a de planos. Ela at\u00e9 tentou alegar que preferiria fazer uma viagem, mas n\u00e3o convenceu a genitora, que, claro, compartilhou a decep\u00e7\u00e3o quando o real motivo veio \u00e0 tona. No dia do anivers\u00e1rio, por\u00e9m, Larissa voltou atr\u00e1s e decidiu sim, comemorar. Com corpete e tudo a que tinha direito. A festa, um m\u00eas depois da data oficial, teve um componente surpresa: a presen\u00e7a da garota que detonou o conflito interno com seu coment\u00e1rio infeliz \u2013 ela foi de penetra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Movimentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Fabiana Cerqueira lembra que a internet acentuou a exposi\u00e7\u00e3o dos corpos e, em decorr\u00eancia, a busca pelo corpo dito \u201cperfeito\u201d. \u201cQue seria o magro, o jovem\u201d. Mas ela salienta que estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o direta desse corpo com um padr\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 um grande equ\u00edvoco. \u201cSe a pessoa est\u00e1 acima do peso, tem-se uma ideia de que ela n\u00e3o cuida da sua sa\u00fade, o que alimenta esse imagin\u00e1rio coletivo do corpo magro, o que deve ser alcan\u00e7ado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, ela ressalta que a sociedade vem dando mais espa\u00e7o a outras belezas fora dos estere\u00f3tipos vigentes. \u201cCaso dos desfiles do recente S\u00e3o Paulo Fashion Week, com v\u00e1rios padr\u00f5es de beleza na passarela\u201d. Mas ela adverte: \u201cA gente est\u00e1 num momento de passagem. Certamente, n\u00e3o vamos colher os resultados agora. Mas vamos ver o que vai ser disso\u201d. Os avan\u00e7os, entende, ainda s\u00e3o poucos. \u201cMas n\u00e3o tem como desconsider\u00e1-los. Acho que \u00e9 uma porta que est\u00e1 se abrindo e que est\u00e1 dizendo de algo muito interessante\u201d, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;\u00c9 bem dif\u00edcil sair ilesa\u2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da gordofobia \u00e9 t\u00e3o latente que a cineasta Vanessa Del Negri decidiu transp\u00f4-la para o cinema. \u201cGorda\u201d, curta de car\u00e1ter documental, est\u00e1 em fase de edi\u00e7\u00e3o. O filme aborda o preconceito com um vi\u00e9s documental por meio de cinco meninas \u201cque convivem com o fato de serem gordas, ou que se tornaram com o tempo\u201d. \u201cMas n\u00e3o vitimizamos elas. Todas entendem que o lugar delas na sociedade \u00e9 esse e lutam para conseguir o respeito e a dignidade que merecem ter como ser humano\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vanessa diz que as meninas falam com propriedade da quest\u00e3o. \u201cTem a Rachel Patr\u00edcio, por exemplo, que desenvolve projeto referente a inclus\u00e3o, como macas nos hospitais e cadeiras especiais em restaurantes\u201d, lista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 32 anos, a jornalista J\u00e9ssica Balbino sabe bem desses desafios. Ela conta que todos os dias nada no mar de \u00f3dio e preconceito contra os gordos. \u201c\u00c9 bem dif\u00edcil sair ilesa no final do dia. O que me deixa cansada \u00e9 justamente essa tentativa de deslegitimar a fala, a luta, a causa\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarta-feira passada, J\u00e9ssica viu, no Facebook, um v\u00eddeo de uma marca de comidas e materiais fitness que trazia a representa\u00e7\u00e3o de uma mulher gorda, nua. \u201cComo uma massa amorfa de gordura. Nele, a figura aparece dan\u00e7ando em meio a batatas-fritas, com uma pizza enfiada no \u00e2nus, entre outras coisas que apenas ridicularizam a mulher fora do padr\u00e3o\u201d, indigna-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e9ssica decidiu denunciar a iniciativa. \u201cE qual n\u00e3o foi a surpresa ao ver que a maior parte dos coment\u00e1rios fala de vitimismo, mimimi&#8230;\u201d. Para ela, a sociedade nega as pessoas gordas todo o tempo. \u201cQuantas protagonistas gordas voc\u00ea j\u00e1 viu em s\u00e9ries, filmes e\/ou livros e que tivessem uma vida normal, sem que o foco fosse sobre o corpo delas?\u201d, desafia. \u201c\u00c9 como se voc\u00ea n\u00e3o pudesse existir\u201d, prossegue. \u201cE a sociedade refor\u00e7a isso n\u00e3o fazendo roupas que te sirvam, bancos que te aguentem, cintos de avi\u00e3o, catracas nas quais voc\u00ea passe. Grita o tempo todo que ou voc\u00ea \u00e9 magra ou tem que viver reclusa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 sobre ser gorda. \u00c9 sobre o peso de se estar acima de um peso\u201d. A frase \u00e9 um trecho da m\u00fasica \u201cCarta \u00e0 Boa Forma\u201d, da cantora paulista Ann\u00e1. 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