{"id":76520,"date":"2017-01-21T01:33:27","date_gmt":"2017-01-21T04:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/portaldosilas.com.br\/?p=76520"},"modified":"2017-01-20T19:40:50","modified_gmt":"2017-01-20T22:40:50","slug":"brasileiros-relatam-o-medo-e-a-tensao-de-tentar-entrar-nos-eua-ilegalmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldosilas.com.br\/news\/2017\/01\/21\/brasileiros-relatam-o-medo-e-a-tensao-de-tentar-entrar-nos-eua-ilegalmente\/","title":{"rendered":"Brasileiros relatam o medo e a tens\u00e3o de tentar entrar nos EUA ilegalmente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" alt=\"Na fronteira com o M\u00e9xico, atravessadores levam imigrantes ilegais em bote para os EUA\" src=\"http:\/\/img.braziliantimes.com\/d3b69cdfef69448cb990df574d1957e4-mid.jpg\" width=\"648\" height=\"405\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Nadar em rios perigosos, dividir uma casa com dezenas de pessoas, se esconder e, claro passar por barreiras policiaiss\u00e3o alguns dos desafios pelos quais as pessoas que se aventuram a entrar ilegalmente nos Estados Unidos passam. Os coiotes que pagam propina aos policiais americanos cobram mais caroporque a travessia \u00e9 mais f\u00e1cil. Trajetos perigosos, em terrenos insalubres, s\u00e3o mais baratos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Em busca de uma vida melhor, uma professora de 35 anos, que preferiu n\u00e3o ter o nome revelado, se arriscou em um desses caminhos em 2003. Ela levou cerca de 30 dias para chegar ao destino final e pagou US$ 3 milaos atravessadores mexicanos. Nesse trajeto, a imigrante, que j\u00e1 voltou para o Brasil, correu v\u00e1rios riscos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">&#8220;Meu maior medo era o rio. Aquilo ali eu j\u00e1 comecei a entrar em p\u00e2nico. Ele falou &#8216;voc\u00ea n\u00e3o sabe nadar&#8230;&#8217;,mostrou que estava com uma c\u00e2mara de pneu e que ia encher com a boca e eu poderia atravessar. Aliviou um pouco. Foi tenso na hora porque realmente tem correnteza. O pessoal me ajudou e conseguimos atravessar. Tive medo, p\u00e2nico. Depois que atravessar o rio, foram mais de 12 horas na boleia de um caminh\u00e3o. Sem parar, viagem direto&#8221;, conta a professora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Desde o in\u00edcio dos anos 2000 a vigil\u00e2ncia nas fronteiras ficou mais r\u00edgida e a travessia ilegal, mais cara. Em 2002, depois de ter o visto negado, uma mulher de 40 anos decidiu largar a faculdade de direito para viver o sonho americano junto com o marido, de forma ilegal. Em 2011, precisou voltar para ao Brasil porque o pai dela morreu. Depois disso, n\u00e3o conseguiu mais retornar ao pa\u00eds americano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">&#8220;N\u00f3s s\u00f3 passamos em um rio e andei uns 10 a 15 minutos. Normal. Nessa \u00e9poca, eu paguei US$ 5 mil. Hoje, dizem que se passar um morcego l\u00e1, voando, n\u00e3o consegue passar. Hoje em dia, \u00e9 nessa faixa de US$ 18 mil a US$ 20 mil. A primeira vez eu tentei voltar e me barraram no aeroporto do M\u00e9xico. A\u00ed eu voltei mais uma vez e fui pela Guatemala. Consegui entrar em solo mexicano, mas a\u00ed eu fui detida&#8221;, relembra a brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Confiar o futuro a uma pessoa desconhecida \u00e9 outro risco. Um homem de 35 anosfoi enganado por um atravessador brasileiro, quando j\u00e1 estava na fronteira, em 2001.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">&#8220;Ele nunca pagou ao coiote pra gente entrar nos EUA. E ele tinha o dinheiro para fazer isso. Ent\u00e3o, ele falou que tinha que ir ao Brasil para mandar o dinheiro, que n\u00e3o tinha o dinheiro com ele. Ele fez sacanagem n\u00e3o s\u00f3 comigo. As outras pessoas, a mesma coisa. Nesse processo, meu pai teve que vender um carro que valia muito mais dinheiro por um pre\u00e7o barato para poder me mandar pra frente. Se hoje fosse para fazer a mesma coisa eu n\u00e3o faria&#8221;, afirma o homem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Apesar de ter se arrependido, ele hoje vive o sonho de todo imigrante nos Estados Unidos: finalmente ganhou o GreenCard, depois de se casar com uma americana, quatro anos atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Nem todos t\u00eam essa sorte. Ana Alice Teixeira, de 70 anos, que trabalha como empacotadora na empresa da fam\u00edlia na Fl\u00f3rida ainda luta para ter a situa\u00e7\u00e3o regularizada, depois de atravessar a fronteira do M\u00e9xico. Ela viveu cinco anos nos Estados Unidos, com visto de turista. Uma vez por ano ela ia ao Brasil para driblar as autoridades, at\u00e9 ser barrada. Por causa disso, a idosa se arriscou a atravessar com coiotes pagando US$ 6 mil. Atualmente, morando com o marido, filhos e netos, todos j\u00e1 regularizados, na Fl\u00f3rida, ela n\u00e3o se arrepende.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">&#8220;Eu fiquei nove dias dentro de uma casa com 72 pessoas. N\u00e3o tinha cama para todo mundo, o povo dormia no ch\u00e3o. Comia muito mal. Voc\u00ea n\u00e3o podia abrir a persiana para nada, n\u00e3o podia olhar l\u00e1 fora. Valeu muito a pena. Minha vida \u00e9 muito melhor do que a\u00ed (no Brasil)&#8221;, garante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Esses imigrantes representam apenas uma parte do mar de brasileiros que vai para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor todos os anos. De acordo com os \u00faltimos dados do Itamaraty, 1,41milh\u00f5es de brasileiros vivem no pa\u00eds, em situa\u00e7\u00e3o regular e irregular.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Fonte: CBN\/Globo<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nadar em rios perigosos, dividir uma casa com dezenas de pessoas, se esconder e, claro passar por barreiras policiaiss\u00e3o alguns dos desafios pelos quais as pessoas que se aventuram a entrar ilegalmente nos Estados Unidos passam. Os coiotes que pagam propina aos policiais americanos cobram mais caroporque a travessia \u00e9 mais f\u00e1cil. 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