{"id":61777,"date":"2016-04-26T07:53:18","date_gmt":"2016-04-26T10:53:18","guid":{"rendered":"http:\/\/portaldosilas.com.br\/?p=61777"},"modified":"2016-04-26T07:53:18","modified_gmt":"2016-04-26T10:53:18","slug":"gravida-de-8-meses-mae-de-isabella-nardoni-conta-como-seguiu-em-frente-lutei-muito-para-ser-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldosilas.com.br\/news\/2016\/04\/26\/gravida-de-8-meses-mae-de-isabella-nardoni-conta-como-seguiu-em-frente-lutei-muito-para-ser-feliz\/","title":{"rendered":"Gr\u00e1vida de 8 meses, m\u00e3e de Isabella Nardoni conta como seguiu em frente: &#8220;Lutei muito para ser feliz&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_61778\" aria-describedby=\"caption-attachment-61778\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/ana-carolina-oliveira-2016-35-original.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-61778\" alt=\"ana-carolina-oliveira-2016-35-original\" src=\"http:\/\/portaldosilas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/ana-carolina-oliveira-2016-35-original-640x480.jpeg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-61778\" class=\"wp-caption-text\">Terapia, religi\u00e3o, fam\u00edlia e um novo companheiro a ajudaram a superar a fase mais dif\u00edcil(Luiz Maximiano\/Arquivo pessoal\/VEJA)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">O pa\u00eds inteiro se solidarizou com as l\u00e1grimas de Ana Carolina Oliveira. Em mar\u00e7o de 2008, sua filha Isabella Nardoni, de 5 anos, foi assassinada pelo pai, Alexandre Nardoni, e pela madrasta, Anna Carolina Jatob\u00e1. No dia da trag\u00e9dia, antes de ser arremessada pela janela do 6\u00ba andar de um edif\u00edcio na Zona Norte da cidade de S\u00e3o Paulo, Isabella sofreu muito nas m\u00e3os dos adultos que deveriam cuidar dela. Apanhou com uma chave tetra, foi asfixiada e, quando estava inconsciente, atirada com vida de uma altura de mais de 20 metros. Tudo isso enquanto passava o fim de semana com seus dois meios-\u00adirm\u00e3os, Pietro, ent\u00e3o com 3 anos, e Cau\u00e3, de 11 meses. Os respons\u00e1veis tentaram simular uma invas\u00e3o, mas acabaram sendo presos e condenados &#8211; ele a 31 anos, ela a 26.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">\u00c9 dif\u00edcil imaginar dor maior que a de enterrar o pr\u00f3prio filho. No caso de Ana Carolina, havia v\u00e1rias agravantes, como a pouca idade da menina, a brutalidade dos assassinos e, sobretudo, a identidade dos criminosos, incluindo-se o pr\u00f3prio pai da v\u00edtima. A enorme exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por\u00e9m, ajudou. &#8220;A como\u00e7\u00e3o das pessoas me dava for\u00e7a&#8221;, lembra ela. &#8220;Muitos choravam como se tivessem perdido o pr\u00f3prio filho.&#8221; Ana Carolina come\u00e7ou a frequentar o Santu\u00e1rio do Ter\u00e7o Bizantino, do padre Marcelo Rossi, e causava aglomera\u00e7\u00e3o quando subia ao palco, a ponto de precisar sair pelos fundos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Na \u00e9poca, estava com 24 anos. Sua gravidez n\u00e3o havia sido planejada, e o relacionamento com Alexandre Nardoni acabou logo depois do nascimento do beb\u00ea. Custou a ela acreditar na participa\u00e7\u00e3o dele no crime e mergulhou em uma torrente de perplexidade e sofrimento. &#8220;Chega uma hora em que a dor sufoca de tal forma que voc\u00ea precisa da ajuda de um profissional&#8221;, conta. Recorreu a sess\u00f5es de terapia tr\u00eas vezes por semana. Sua m\u00e3e, Rosa Oliveira, foi outro apoio fundamental. &#8220;Com o tempo, aprendemos a nos acostumar com a dor. Alguns dias, no entanto, s\u00e3o mais dif\u00edceis&#8221;, afirma a av\u00f3 de Isabella. Na segunda passada, a garotinha teria completado 14 anos. Na mesma data, Rosa pegou a filha e dirigiu at\u00e9 o litoral paulista para que as duas pudessem descansar. &#8220;N\u00e3o comparo dores, por isso n\u00e3o me fiz de coitada achando que os meus problemas seriam maiores do que os dos outros&#8221;, diz Ana Carolina. &#8220;Lutei para voltar a ser feliz, pois essa \u00e9 a imagem que a minha filha tinha de mim.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">O marco da reconstru\u00e7\u00e3o de sua vida veio na forma de uma explos\u00e3o de alegria dentro de um lugar inusitado: um banheiro p\u00fablico. Com vontade de ser m\u00e3e novamente, no ano passado deixou de tomar anticoncepcional. O sonho era compartilhado por seu marido, o administrador Vin\u00edcius Francomano, 29, com quem se casou depois da trag\u00e9dia. Poucas semanas ap\u00f3s as tentativas, o sinal de alerta se acendeu, com o atraso da menstrua\u00e7\u00e3o. Sem avisar Vin\u00edcius, aproveitou o hor\u00e1rio de almo\u00e7o do trabalho em um banco (administradora, ela atua no setor de c\u00e2mbio da institui\u00e7\u00e3o financeira) e foi a um shopping. Comprou um teste de farm\u00e1cia e dirigiu-se a um dos toaletes. O exame deu positivo. A vontade era de berrar de contentamento, mas segurou a emo\u00e7\u00e3o na hora. &#8220;No auge dos problemas, achava que jamais iria me casar vestida de noiva e ter filho. A vida d\u00e1 muitas voltas.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Na \u00e9poca do assassinato, Ana Carolina estava namorando, mas o relacionamento acabou meses depois. Ficou solteira por quase dois anos, at\u00e9 conhecer o futuro marido em um bar de S\u00e3o Paulo. Na semana seguinte, ela foi a uma balada com amigas no interior do estado e o reencontrou por acaso. Ficaram juntos de vez. No come\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o, ele se assustou com o ass\u00e9dio. Ana Carolina era reconhecida nas ruas. Algumas pessoas chegavam a pedir aut\u00f3grafo e queriam posar ao seu lado para uma foto. &#8220;Entendo terem carinho, mas, na minha cabe\u00e7a, n\u00e3o faz sentido tirar um retrato com algu\u00e9m que ficou conhecido naquela situa\u00e7\u00e3o.&#8221; Apesar do desconforto inicial, o relacionamento prosperou. &#8220;Tem gente que fala que fui corajoso&#8221;, conta Vin\u00edcius. &#8220;Mas amo a Carol, ent\u00e3o foi natural seguir em frente.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Casaram-se em abril de 2014. Na cerim\u00f4nia, realizada em uma catedral anglicana, Isabella foi rememorada no fim da troca de alian\u00e7as e de beijos. &#8220;N\u00e3o poderia deixar de lembrar de sua filha, que est\u00e1 no c\u00e9u muito feliz assistindo a esta celebra\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o reverendo Aldo Quint\u00e3o. Em seguida, cantou a m\u00fasica gospel\u00a0<em>Faz um Milagre em Mim<\/em>. &#8220;Realizo casamentos h\u00e1 sete anos. Esse foi o \u00fanico em que vi todos os convidados chorando&#8221;, lembra a cerimonialista Babi Leite.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Um dos maiores desafios da psicologia diz respeito ao enfrentamento da perda de um filho, essa cruel armadilha do destino que reverte a ordem biol\u00f3gica. &#8220;Durante o luto, a pessoa rev\u00ea a sua vida e as expectativas que projetou para si e para a crian\u00e7a&#8221;, afirma Maria Helena Franco, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos e Interven\u00e7\u00f5es sobre o Luto, da PUC de S\u00e3o Paulo. &#8220;Mas a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica desse processo pode fazer com que ele se torne mais prolongado.&#8221; Ana Carolina experimentou exatamente isso. O carinho das pessoas a ajudou a se levantar, mas trouxe tamb\u00e9m outras quest\u00f5es. &#8220;Se estava triste, me chamavam de coitada. Se sorria, era julgada por ter superado o luto.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva;\">Hoje, Ana Carolina leva uma vida discreta. Nem sequer tem rede social. Durante a gesta\u00e7\u00e3o, foi reconhecida apenas uma vez. &#8220;Uma mulher veio me dar parab\u00e9ns e dizer que estava feliz por mim.&#8221; Em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo de gravidez de Isabella, quando tinha apenas 17 anos, sente diferen\u00e7as, como enjoos e incha\u00e7os. Por outro lado, aos 32, vive a experi\u00eancia da maternidade tendo ao seu lado um marido. &#8220;Eu e Vin\u00edcius escolhemos todas as roupinhas, a decora\u00e7\u00e3o do quarto, a lembrancinha do hospital&#8230;&#8221;, conta ela, com o sorriso largo que tanto lembra o da filha Isabella. &#8220;A Isa sempre me viu feliz &#8211; e \u00e9 assim que estou hoje&#8221;, complementa, orgulhosa de estar conseguindo reconstruir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ana Carolina est\u00e1 no oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. Programa fazer parto normal. Dar\u00e1 \u00e0 luz um menino, que vai se chamar Miguel. Em um sinal da maturidade com que superou sua trag\u00e9dia pessoal, Ana Carolina n\u00e3o trope\u00e7a na dor in\u00fatil dos falsos paralelos: &#8220;N\u00e3o encaro a segunda gravidez como uma substitui\u00e7\u00e3o. Cada filho tem uma hist\u00f3ria&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds inteiro se solidarizou com as l\u00e1grimas de Ana Carolina Oliveira. Em mar\u00e7o de 2008, sua filha Isabella Nardoni, de 5 anos, foi assassinada pelo pai, Alexandre Nardoni, e pela madrasta, Anna Carolina Jatob\u00e1. 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