Douglas, ao lado do vice e da esposa

Os seguimentos políticos de Timóteo, aqueles que têm insistido, por muitas décadas, em fazer da cidade um curral eleitoral, com coronéis e capachos aprendizes de cangaceiros, viram, neste domingo histórico de 24 de junho de 2018, seus projetos começarem a ruir.

De todo jeito que olhava, só dava Douglas

Neste período, outras lideranças, aos primeiros sinais de surgimento, têm sido cooptadas ou simplesmente, decapitadas, caso não aceitem acenos indecentes para união, aquela do tipo suicida. Estas correntes de profissionais da política posam como se a cidade fosse um objeto que a elas pertence, e dão a quem querem. Quantos e quantas não contavam com uma cacetada mortal nas urnas nesta eleição extemporânea que poderia ter sido evitada, mas não foi. Ao “pode, pode, pode sim” foi ordenado um “não pode, não pode, não pode não”.


Um garoto de 31 anos topou o desafio e se dispôs a enfrentar os “Golias” que arrotavam bravura, poder e influência, e decidiu enfrentar este gigante, cujos pés, ficou claro neste domingo, eram de barro. Como no episódio bíblico, muitos definiram como ousadia um menino de um distrito da cidade se aliar a um professor e partir para cima dos “Golias”.

Sem medo, sem dinheiro, com coragem e fé, Davi, ou melhor, Douglas Willkys, se apresentou como alguém que não se intimidaria e enfrentaria a “batalha dos poderosos”. Douglas, depois de dois mandatos como vereador, conseguiu forças e visibilidade para conquistar a confiança dos eleitores de Timóteo, aqueles que não estavam mais dispostos a serem servidos como massa de manobra.
A guerra iniciou e Douglas, ou melhor, Davi, desculpas, Douglas, mostraria suas armas. A verdade, a humildade e a ousadia seriam peças da sua artilharia levemente pesada. Foi para cima de senhores que posavam como imbatíveis, populares ao extremo. Foram dias de campanha pesada, eivada de mentiras e acusações sórdidas. Dias de ouvirmos jingles desconexos e slogans provincianos. Dias de desfile de teses que causam vômitos nos que primam por uma sociedade com rumos menos comprometedores. A disputa acirrou-se. Chuva de pesquisas. Festival do “este não perde”.


Enquanto isso, Davi, ou melhor, Douglas Wilkkys, sobrenome difícil de pronunciar para um nome fácil de gravar, se agigantava contra os “Golias”. Não foram poucas as vezes que este “Davi” se recusou a usar as armas do seu desafiador. Não dava. O povo queria um “Davi” bastante “Davi”, com muita coragem e desvencilhado das práticas que têm “norteado” a política timotense por estes anos, anos longos. Este “Davi” teria que dar seu tiro mortal nestes “Golias”. Não tinha, este ousado rapaz, escopeta, metralhadora, coisas assim. O negócio seria as pedrinhas do “pé no chão”, voz da verdade, determinação e índole para não naufragar numa arena de “profissionais. O “Davi” que os timotenses aplaudiriam teria que ser bom de pontaria, sem armas sofisticadas, mas capaz de acertar na veia de um tempo sombrio.


A evitável eleição, marcada para o dia 24 de junho chegou. Davi, ou melhor, Douglas Willkys, foi ao “rio”, que pode ser chamado de urna. Ali encontrou uma multidão disposta a dar-lhe votos de confiança. Talvez seria o ápice da presunção pensar que teria tanto voto como teve. O filho de Cachoeira do Vale foi escolhido por 18.181 dos 43.958 (48,28%) eleitores que compareceram às urnas, quase a soma de todos os outros concorrentes. O voto foi dado e Douglas, agora, é o prefeito da cidade. O Davi venceu Golias, ascendendo a esperança de um povo que, certamente, irá cobrar sua coragem demonstrada durante a campanha. Golias está no chão, talvez esperneando, e tentando dar sua última cartada antes de feder e ser comido pelas aves. A multidão dos 18.181 que acreditaram na proposta do filho de Cachoeira do Vale, não perdoará erros e não suportará ser traída, como o foi em outras memoravelmente negativas ocasiões. Ulysses Guimarães dizia que “não há liberdade para o erro e nem para o mal”. É elementar ousar afirmar que Douglas não incorrerá em práticas que culminem com a negativa do que estampou para o povo.

Em seus olhos era possível avistar, de perto, a verdade e a sinceridade. Certamente, não foram valores esculpidos por uma miragem, mas a constatação de uma realidade que tem sido uma das descrições do caráter deste moço. A morte do gigante aconteceu e o povo, junto com o prefeito, ficará vigilante para que ele não ressuscite. Os que aspiravam por mudança, de verdade, não jogaram uma pá de cal nos parágrafos de um tempo da nossa história que não vai deixar saudade. Jogaram foi um caminhão de concreto.
O filho de Cachoeira do Vale, agora, é o prefeito de Timóteo. Se foi Douglas neles, que seja o povo, a partir de agora, o destinatário de políticas públicas reclamadas há anos. Que a saúde respire aliviada e saia, de vez, da UTI. Que os favorzinhos não continuem a ditar benefícios a “chegados” e a perseguição deixe de ser a máquina de moer desafetos. Que Douglas neles represente, de fato, novos dias e rumos para esta, até agora, sofrida Timóteo. Parabéns, Timóteo. Foi Douglas neles! Timóteo em nós!

Os outros: 

Dr. Renato (MDB) – 9.748 votos (25,89%)
Adriana Alvarenga (PMB) – 8.345 votos (22,16%)
Carlos Vasconcelos (PC do B) – 1.380 votos (3,66%)

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