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Mulher morre ao cair de cama de hospital; família acusa falhas médicas
Uma mulher de 48 anos morreu nessa quinta-feira (30/4), após cair do leito hospitalar que estava internada, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. A filha da vítima acusa o hospital de falhas médicas, ao dizer que a mãe caiu após ser submetida a uma medicação que gerou confusão mental e alteração de comportamento na vítima.
Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Metrópoles, há cerca de duas semanas, a mulher foi encontrada caída na lavanderia de casa, apresentando sangramento bucal, possivelmente causada por convulsão. Ela foi socorrida ao Hospital Albert Sabin, onde ficou internada por sete dias.
Durante a internação se levantou a hipótese de ter acontecido um acidente isquêmico transitório (AIT), bem como infecção urinária e comprometimento hepático. Por conta disso, a mulher foi transferida ao Hospital Municipal Maria Braido. Na unidade foi descartada a possibilidade de ter sido um AVC, constatando que a convulsão teria sido decorrente da infecção urinária, o que também causou a alteração hepática.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, os médicos aplicaram três tipos de antibiótico na mulher para tentar combater a infecção, mas não obtiveram sucesso. Segundo a filha da paciente, os medicamentos geravam reações adversas como falta de ar, formigamento facial e até a necessidade de ventilação mecânica. O tratamento com os antibióticos durou cerca de quatro dias.
Mudança de medicamento
No dia 29 de abril, um médico da equipe decidiu alterar a medicação e prescreveu clonazepam, remédio tarja preta usado para ansiedade, pânico, epilepsia, transtornos de humor e insônia, alegando que precisava conter a agitação da paciente, que queria deixar o hospital. Após tomar o medicamento, a mulher apresentou confusão mental e alteração de comportamento.
Vendo a situação da mãe, a filha pediu a suspensão do remédio e alertou a equipe médica quanto ao risco de queda da mulher, sugerindo contenção física da paciente. Apesar do pedido, o registro policial aponta que os médicos aplicaram novamente a medicação no período noturno e não fizeram nenhuma contenção física.
Por volta das 3h, a paciente caiu do leito hospitalar. A família diz no boletim de ocorrência que só foi informada sobre o acidente às 9h. Inicialmente, não havia sido constatados lesões aparentes, após um tomografia sem alterações imediatas.
Porém posteriormente, verificou-se uma hemorragia cerebral, além de uma fratura dentária e lesões decorrentes da queda. A mulher precisou ser encaminhada para a UTI, onde foi entubada e sedada em estado grave. A mulher morreu horas depois.
Investigação
- Segundo a filha da vítima, houve falha na prestação do serviço por parte da equipe médica, “especialmente diante da manutenção de medicação com efeitos adversos, ausência de contenção da paciente mesmo com risco de queda previamente informado, e demora na comunicação do ocorrido à família”, apontou o boletim de ocorrência.
- O caso foi registrado homicídio culposo, resultante de inobservância de regra técnica de profissão, pela Delegacia de São Caetano do Sul.
Por Metrópoles