A ministra Gleisi Hoffmann, em fase de saída do Ministério das Relações Institucionais, afirmou nesta terça-feira (31) que o governo federal considera fundamental dialogar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), antes de formalizar o pedido de urgência constitucional para o projeto que visa extinguir a jornada de trabalho 6×1.
Embora a pré-candidata ao Senado indique uma forte tendência de que o presidente Lula adote esse caminho para acelerar a tramitação, ela ressaltou que o martelo ainda não foi batido e que uma reunião definitiva entre as lideranças do Planalto deve ocorrer nos próximos dias para selar a estratégia.
A pressa do Executivo possui um marco simbólico no calendário: o governo pretende colher avanços significativos na proposta até o dia 1º de maio.
A data coincide com os planos do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, de realizar um grande evento voltado aos trabalhadores, utilizando a pauta como vitrine política.
Atualmente, o Planalto tem demonstrado incômodo com o ritmo das discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o mérito do texto ainda é debatido, e defende que o projeto ganhe celeridade para chegar logo ao plenário da Casa.
Em resposta à pressão governista, o presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto (União-BA), saiu em defesa da condução dos trabalhos no colegiado.
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Na última semana, o parlamentar rebateu críticas sobre uma suposta demora na análise da proposta, argumentando que o aprofundamento do debate foi uma deliberação do próprio plenário da comissão.
Segundo Lomanto, a complexidade do tema exige cautela, uma vez que o fim da escala 6×1 gera impactos profundos não apenas para a classe trabalhadora, mas também para todo o setor produtivo brasileiro.
O cenário revela uma queda de braço entre a necessidade de entrega política do governo e a cautela do Legislativo.
Enquanto Gleisi Hoffmann reforça que a interlocução com Hugo Motta é o passo necessário para evitar ruídos com a cúpula da Câmara, os membros da CCJ insistem que o tema não pode ser atropelado sem a devida análise técnica.
O desfecho dessa articulação definirá se o Planalto conseguirá entregar a bandeira trabalhista a tempo das comemorações do Dia do Trabalhador ou se a proposta enfrentará um rito mais longo de discussão parlamentar.
Redação Repórter Nordeste