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Gospel: Adolescentes sem religião crescem 42% no Brasil, diz estudo
Pesquisa mostra nova geração menos ligada a igrejas e mais aberta a formas individuais de espiritualidade
Por Cristiano Stefenoni
O número de adolescentes brasileiros que se declaram sem religião cresceu 42% em pouco mais de uma década. O dado faz parte de uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Paulo em parceria com a Universidade de São Paulo, revelando uma mudança consistente no perfil religioso das novas gerações no país.
O levantamento, divulgado por Mônica Bergamo, mostra que, em 2012, 14,3% dos adolescentes brasileiros entre 14 e 17 anos afirmavam não ter religião. Em 2023, esse número subiu para 20,3%, alta de 42%. Na prática, isso significa um avanço acelerado do grupo dos chamados “sem religião”, indicando que a transformação ocorre em ritmo mais intenso entre os jovens do que no restante da sociedade.
Quando comparado com a população geral, o contraste chama atenção. No conjunto total dos brasileiros, o percentual de pessoas sem religião cresceu de 9% para 12% no mesmo período. Ou seja, embora o fenômeno seja nacional, ele ganha força especial entre adolescentes, que passam a liderar esse movimento de distanciamento das instituições religiosas.
Outro dado relevante do estudo aponta para a queda da importância atribuída à religião na vida dos jovens. Em 2012, cerca de 66% dos adolescentes diziam que a religião era “muito importante”. Em 2023, esse índice caiu para 58%, evidenciando uma perda de centralidade da fé institucional no cotidiano dessa faixa etária.
A análise sugere que não se trata apenas de abandono religioso, mas de uma reconfiguração da forma de crer. Muitos desses adolescentes não necessariamente deixam de acreditar em Deus, mas optam por uma espiritualidade desvinculada de igrejas, doutrinas ou tradições formais.
O estudo também dialoga com mudanças mais amplas no cenário religioso brasileiro. A proporção de católicos no país caiu de 72% para 66%, enquanto os evangélicos cresceram de 27% para 33%. Esse rearranjo indica que, ao mesmo tempo em que há migração entre religiões, também cresce o grupo que simplesmente não se identifica com nenhuma delas.
Esse movimento entre os mais jovens acompanha tendências já observadas em outras pesquisas nacionais. Levantamentos recentes mostram que a parcela de jovens sem religião pode chegar a cerca de um quarto da população em algumas faixas etárias, especialmente entre 16 e 24 anos, reforçando a ideia de que a juventude brasileira está na linha de frente dessa transformação cultural.
Comunhão.