Aos 18 anos, a estudante Nayara Beatriz da Conceição Santos, da rede estadual de ensino do Piauí, conquistou vaga no curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), após uma trajetória escolar marcada por superação, desempenho acadêmico e políticas de inclusão no ensino público.
Nayara convive com artrogripose múltipla congênita, condição que limita os movimentos dos braços e das pernas. Ao longo da vida escolar, desenvolveu a habilidade de escrever utilizando a boca para realizar anotações, adaptando-se às exigências do cotidiano escolar sem abrir mão do desempenho acadêmico.
Estudante do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Professora Auristela Soares Lima, em Teresina, ela contou com o apoio da educação em tempo integral, de professores e do acesso à tecnologia para superar barreiras físicas e pedagógicas. Nesse percurso, acumulou conquistas em competições nacionais, como medalhas na Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT), na Olimpíada Brasileira de Biologia Sintética (OBBS) e na Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), nesta última em participação coletiva.
Segundo Nayara, o incentivo institucional foi decisivo para seu desempenho. Ela destaca que a escola buscou aprimorar sua estrutura e fortalecer práticas inclusivas ao reconhecer sua realidade, além do estímulo permanente dos professores e da liberdade para participar de atividades extracurriculares.
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A escolha pelo Jornalismo surgiu a partir da afinidade com a leitura e a escrita e do interesse pela área da comunicação. Inicialmente inclinada ao curso de Direito, a estudante afirma que se identificou com o Jornalismo ao conhecer a trajetória de profissionais da área e perceber a comunicação como instrumento de transformação social.
A conquista é celebrada também pela mãe, Anikele Santos, que criou a filha sozinha e acompanhou de perto o percurso educacional. Para ela, o ingresso na universidade representa o reconhecimento de anos de esforço e dedicação, além de um motivo de orgulho pessoal e familiar.
Para a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a trajetória da estudante simboliza os avanços da rede estadual na promoção de uma educação inclusiva. O secretário Rodrigo Torres afirma que o resultado reflete políticas educacionais voltadas à acessibilidade, ao uso de tecnologia e ao acompanhamento pedagógico, especialmente nas escolas de tempo integral, ampliando as oportunidades de acesso ao ensino superior.
A história de Nayara Beatriz reforça o papel da escola pública como espaço de inclusão, desenvolvimento de talentos e realização de projetos de vida.
Fonte: Governo do Piauí