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Em vez de presentes, mulher pede doações de sangue no aniversário de 30 anos

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A atuária Josiane Correia de Souza Carvalho decidiu comemorar os 30 anos de maneira diferente e pediu a amigos e familiares que doassem sangue no lugar de dar presentes a ela.

Ao todo, 60 pessoas participaram da ação, que ocorreu no Hemocentro de Ribeirão Preto (SP), no sábado (12), um dia depois do aniversário dela.

Quem não estava apto a doar, pôde levar outra pessoa ou contribuiu com outro tipo de doação: fraldas, sabonetes líquidos e cremes hidratantes, que serão destinados à Casa do Vovô, instituição que cuida de idosos na cidade.

Ao g1, a aniversariante contou que a mobilização foi tanta, que oito familiares percorreram quase 200 quilômetros, de Vargem Grande do Sul (SP) a Ribeirão Preto, para participar da comemoração.

Entre eles estava uma convidada mais que especial: a mãe de Josiane, que doou sangue pela primeira vez.

“Talvez esse tenha sido o maior presente dos meus 30 anos. Descobrir que celebrar a minha vida poderia ajudar outras vidas a continuarem aqui.”

Ideia surgiu aos 18 anos

O desejo de reunir pessoas para doar sangue começou quando Josiane completou 18 anos. Na época, ela ainda morava com os pais em Vargem Grande do Sul, cidade que não tinha uma unidade para coleta. Para colocar a ideia em prática, ela e outras três amigas precisaram viajar até outro município.

Depois que se mudou para Ribeirão Preto, em 2019, tratamentos de saúde e o uso de medicamentos a impediram de continuar doando por um período.

Ao planejar a comemoração dos 30 anos, Josiane decidiu retomar a ideia. Segundo ela, a pressão relacionada à idade e às expectativas sobre o que já deveria ter conquistado também a levou a dar outro significado à data.

“Completar 30 anos mexeu comigo. É uma idade cercada de expectativas sobre onde deveríamos estar e o que já deveríamos ter conquistado. Escolhi olhar para o que realmente importa e ressignificar esse momento. Ajudar as pessoas me faz bem.”

Para tornar a proposta mais pessoal e significativa, Josiane decidiu entregar os convites em mãos, em vez de fazer apenas um chamado pelas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.

Cada convidado recebeu uma caixa com uma vela aromática, um sabonete artesanal e informações sobre os critérios para doar sangue e se cadastrar como doador de medula óssea.

Na vela, estava escrita a frase ‘Uma chama acesa pode iluminar várias vidas’. O sabonete trazia a mensagem ‘Queira o bem, faça o bem e o resto vem’.

“Hoje em dia, é tudo muito virtual. Eu quis fazer um convite físico para entregar às pessoas e marcar esse momento.”

Primeira doação e medo de agulha

Entre os convidados de Josiane, havia pessoas que nunca tinham doado sangue, como a mãe dela. A atuária conta que ela chegou ao Hemocentro com medo, mas decidiu participar e conseguiu fazer a primeira doação.

O pai dela também acompanhou a comemoração, mas não estava apto a doar, por causa de um medicamento.

Outros convidados foram impedidos pela triagem por questões temporárias de saúde e receberam orientações sobre quando poderiam retornar.

Uma amiga que tem medo de agulhas preferiu apenas conhecer o processo. Josiane conta que não quis pressioná-la e considerou a visita um primeiro passo para uma futura doação.

“Ela falou que tinha pavor de agulha e perguntou se poderia ir só para conhecer. Eu disse para ficar tranquila e fazer no tempo dela. Ela ainda não doou, mas já ficou com essa ideia na cabeça.”

Mobilização deve continuar

Depois da ação, Josiane contou ao g1 que ouviu de amigos e familiares que eles querem continuar doando. Pessoas que não puderam comparecer também pediram para serem chamadas na próxima vez.

Por isso, ela disse que pretende organizar mais idas ao Hemocentro, sem esperar pelo próximo aniversário.

“Daqui quatro meses, eu quero voltar e chamar todo mundo novamente. Algumas pessoas já falaram para eu avisar quando for. Então, é algo que não precisa ficar só no meu aniversário.”

Para Josiane, a intenção agora é incentivar outras pessoas a encontrarem formas de ajudar.

“Espero que essa ideia maluca pegue. Que mais pessoas encontrem suas próprias formas de transformar gratidão em ação, porque, quando a vida transborda em nós, ela pode alcançar a vida de outras pessoas.”

Por Isabella Capuzzo*, g1 Ribeirão Preto e Franca
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