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Cury invade eleitorado de jovens e mulheres e se torna surpresa da corrida ao Planalto

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Candidato do Avante à Presidência da República, o escritor Augusto Cury foi uma das surpresas na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira: pulou de 2% para 10% das intenções de voto em relação ao último levantamento, ultrapassando Renan Santos (Missão). O aumento coincide com uma campanha cuja estratégia digital atingiu os eleitorados feminino, jovem e nordestino.

É o que aponta um estudo de Fábio Vasconcellos, cientista político, professor da Uerj e da PUC-Rio e pesquisador do Instituto Representação e Legitimidade Democrática (ReDem), da Universidade Federal do Paraná. O levantamento mostra que o alcance de anúncios impulsionados pela campanha do escritor nas redes sociais da Meta (Instagram e Facebook) entre os dias 16 de agosto e 1º de setembro se destacou nestes públicos quando comparados aos principais oponentes nas urnas.

IMPULSIONAMENTO – Cury impulsionou 88 anúncios nas redes da Meta até o dia 1º. Foi o segundo candidato com mais anúncios, atrás dos 218 de Ronaldo Caiado (PSD). Romeu Zema (Novo) impulsionou 40 peças, enquanto Lula (PT) o fez em 10. Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos não impulsionaram anúncios no período.

Os anúncios atingiram alguns públicos claros: 55,9% do público impactado é da região Nordeste, com destaque para Bahia (11,8%), Ceará (10,1%) e Pernambuco (8,3%). O público feminino também foi fortemente alcançado pela estratégia. As mulheres registram 53% dos usuários atingidos pelos anúncios.

TERCEIRA POSIÇÃO – Essa parcela do eleitorado tem Lula como principal nome. Na pesquisa Quaest desta quarta-feira, o petista lidera no Nordeste, com 55% das intenções de voto, contra 19% de Flávio Bolsonaro. Cury aparece em terceiro, com 12%. Já entre as mulheres, Lula tem 40%, Flávio tem 23%, e Cury, 9%. Já no estudo, Vasconcellos explica que não é possível fazer uma correlação entre o alcance dos anúncios e o crescimento do candidato nas pesquisas.

— O que podemos dizer é que a mensagem do Cury, no caso, os seus anúncios pagos, chegaram mais às mulheres, jovens e eleitores do Nordeste. Não sabemos se são eleitores que já tinham qualquer outro candidato de preferência, como o Lula, que tende a ir bem nesses grupos, sobretudo entre as mulheres e no Nordeste, — explica.

— O que as pesquisas de intenção mostraram foi que Cury cresceu entre os eleitores que não se identificam com Lula ou Flávio Bolsonaro, os chamados independentes. Se isso foi efeito do anúncio, não sabemos. O que temos é uma associação temporal entre o momento em que Cury cresce nas pesquisas, o início da campanha digital e, mais especificamente, uma campanha digital que chegou mais a esses eleitores —, acrescenta.

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ELEITORADO JOVEM – Outro público bastante impactado pelos anúncios do escritor foram os eleitores de 18 a 24 anos. Das contas atingidas, 37,3% foram nessa faixa-etária. Uma fatia muito à frente da de seus rivais — Ronaldo Caiado, por exemplo, foi o mais impactante nesse público, com 17%.

Ainda que o recorte de idade seja diferente, o escritor vai bem entre o eleitorado jovem na pesquisa Quaest. Ele tem 14% das intenções de voto entre aqueles de 16 a 34 anos, contra 7% de Renan Santos, 30% de Lula e 33% de Flávio Bolsonaro.

— Os jovens, segundo outras pesquisas qualitativas, expressam certo descontentamento com a política ou os candidatos dessa disputa. Por outro lado, as mulheres tendem a apresentar um comportamento de mais moderação, evitando embates diretos por razões políticas. Elas, na média, tendem a tomar a decisão eleitoral um pouco mais próxima das semanas da votação. Então, acredito que a estratégia digital de Cury é acertada. Na medida que pode, está buscando esses eleitores ou, inversamente, poderíamos falar que os jovens e as mulheres, nesses primeiros dias de campanha, prestaram mais atenção nos anúncios de Cury — analisa Vasconcellos, que ressalta o alinhamento entre a estratégia digital e o discurso do candidato. — Cury tem apresentado um discurso que combina esses sentidos, de esperança, cuidado e pacificação. A análise qualitativa dos anúncios mostra que esses sentidos estão presentes nos anúncios que ele impulsionou.

VOLUME DE INVESTIMENTO – O estudo também mostra que Augusto Cury teve a melhor eficiência nos anúncios dado o volume de investimento. Com R$ 48,9 mil, o menor investimento, alcançou 15,39 milhões de contas, contra 14,09 milhões impactadas por Caiado, 7,24 milhões por Zema e 2,84 milhões por Lula.

Nas redes da Meta, os anúncios podem ter filtros e delimitações expressas de público pelas campanhas. Os dados analisados pelo estudo, porém, são um resultado de efeitos combinados entre orientação, lógica dos algoritmos de distribuição das redes e efeito de audiência, explica o pesquisador:

— As campanhas podem e, muitas vezes, fazem essa definição de públicos. Se for uma determinação expressa, como, por exemplo, 80% direcionado para os homens, poderíamos falar de uma “orientação” clara de públicos e isso apareceria nos dados. O caso do Zema para a Região Sudeste sugere esse direcionamento. Como raramente isso acontece com essa proporção tão alta, a distribuição acaba sendo influenciada ou calibrada também pela lógica do algoritmo das empresas e pelas preferências de conteúdos dos usuários das redes — complementa.

Vitor Seta/O Globo

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