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Consignado que endividou idosos liga líder de Lula a Vorcaro
Uma modalidade de crédito predatório criada pelo PT da Bahia como mecanismo voraz de endividar servidores e idosos e enriquecer banqueiros está no centro da investigação que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) na mira da Polícia Federal, na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). O consignado conhecido como Credcesta, investigado na CPMI do INSS, nasceu sob a gestão do atual líder do presidente Lula (PT) no Senado, inspirado no programa que facilitava compra de itens da cesta básica na estatal Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
No centro da investigação está a privatização da empresa pública que operava créditos para a rede estatal de supermercados Cesta do Povo, em meados de 2018, quando Jaques Wagner era secretário estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Porque a compra da Ebal pelo banqueiro Augusto Lima, incluiu o sistema rebatizado como Credcesta.
Lima é amigo do senador petista e também é alvo da operação de hoje. Ele é dono do Banco Pleno e ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso pela maior fraude financeira da história do Brasil. E o negócio avalizado na Bahia pelo líder e pelo ministro de Lula garantiu a expansão dos negócios financeiros que endividaram brasileiros para além do território baiano.
Segundo a PF, os fatos investigados pela operação desta quinta-feira (18) podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.
Endividamento permanente
O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) já denunciou o Credcesta durante a investigação do roubo bilionário a aposentados do Brasil. Em maio, ele disse ao Diário do Poder que o como modalidade de crédito com “risco de endividamento permanente dos aposentados, os juros mais altos em relação ao consignado tradicional e o potencial de uso abusivo por parte dos bancos”.
O relatório final apresentado por Alfredo ao final da CPMI do INSS relata que a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou mais de 905 mil casos em que o limite desta modalidade de cartão de crédito consignado superou o teto regulamentar de 1,6 vez o valor do benefício mensal. Dos quais, cerca de 125 mil casos apresentavam limites superiores a 3 vezes o valor do benefício usado para pagar as parcelas mensais dos consignados.
Não bastassem as suspeitas já expostas, a modalidade de crédito criada pelo PT da Bahia foi contemplada no Desenrola 2, programa instituído neste ano eleitoral por Lula para combater o superendividamento dos brasileiros. O produto financeiro de alta rentabilidade para os bancos foi preservado, apenas reduzindo de 45% para 40% a margem total do benefício a ser consignada, com limitação a 5% da margem para o cartão.
Quando o Desenrola 2 foi anunciado, 80,4% de famílias brasileiras estavam endividadas. O que representa o maior nível da série histórica do levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado em abril.
Por Diário do Poder