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CNH: novo exame toxicológico obrigatório detecta maconha e cocaína usadas há meses

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Quem quiser tirar a primeira CNH (Carteira Nacional de Habilitação) nas categorias A e B, destinadas a motos e carros, agora terá de apresentar exame toxicológico negativo para concluir o processo de habilitação no Brasil.

A exigência começou a ser aplicada nesta semana após recomendação da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) enviada aos Detrans estaduais, com base no Projeto de Lei nº 15.153/2025.

O exame toxicológico da CNH, feito com cabelo, pelos ou unhas, consegue detectar o uso de drogas como maconha e cocaína por até 180 dias e passou a ser obrigatório para ampliar o controle sobre o uso de substâncias psicoativas entre futuros motoristas.

Até então, o exame era exigido apenas para condutores das categorias C, D e E e para motoristas profissionais. Agora, o candidato pode iniciar normalmente as aulas teóricas e práticas, mas só receberá a Permissão Para Dirigir após apresentar laudo negativo.

O que pega no exame toxicológico da CNH

O exame toxicológico da CNH é organizado por grupos de substâncias. Se qualquer composto for identificado dentro da janela de detecção, o resultado é considerado positivo.

Entre as principais substâncias monitoradas estão:

Classe Substâncias detectadas
Anfetaminas Rebite, Ecstasy (MDMA) e “Bolinha”
Canabinoides Maconha, Haxixe e Skunk
Opiáceos / Opioides Morfina, Heroína, Ópio bruto e Oxicodona
Cocaína Cocaína, Crack e Bazuca
Outros Mazindol (remédio para emagrecimento)

Como funciona o exame toxicológico de larga janela

O teste utiliza amostras de cabelo, pelos corporais ou unhas para identificar o consumo de substâncias psicoativas em um período mínimo de 90 dias, podendo alcançar até 180 dias retrospectivos.

O procedimento envolve:

  • agendamento em laboratório credenciado;
  • coleta da amostra biológica;
  • envio ao laboratório;
  • análise toxicológica;
  • emissão do laudo.

Segundo especialistas da área, cabelos e unhas funcionam como “arquivos biológicos”, armazenando vestígios químicos por meses. Isso permite detectar drogas mesmo após o organismo já ter eliminado a substância da corrente sanguínea.

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A análise utiliza métodos laboratoriais de alta sensibilidade, como cromatografia e espectrometria de massa, capazes de identificar níveis muito baixos de substâncias e metabólitos.

Maconha usada há dois meses pode aparecer?

Sim. O uso recreativo de maconha pode reprovar no exame toxicológico da CNH mesmo após semanas ou meses.

Isso acontece porque os metabólitos do THC ficam incorporados à queratina presente em cabelos, pelos e unhas. Como o exame possui janela mínima de 90 dias, o consumo em uma festa ou situação ocasional ainda pode ser detectado.

Cocaína aparece mesmo em uso ocasional?

Também. Segundo especialistas, a cocaína está entre as substâncias mais facilmente identificadas nos exames de larga janela. Após o consumo, a droga gera diferentes metabólitos, como: benzoilecgonina, norcocaína, cocaetileno, formado quando há consumo simultâneo com álcool.

Esses compostos permanecem depositados nos fios de cabelo por longos períodos, o que explica a alta taxa de detecção nos exames realizados no país.

Cocaína lidera resultados positivos no Brasil

Dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) mostram que, entre 2021 e 2025, foram realizados quase 18,5 milhões de exames toxicológicos em motoristas profissionais no Brasil. Desse total, 223 mil testes tiveram resultado positivo.

No mesmo período, mais de 530 mil substâncias foram detectadas, sendo a cocaína responsável por cerca de 87% das ocorrências registradas. Ao todo, foram identificadas 462.643 detecções relacionadas à cocaína, além de 37.797 casos envolvendo opiáceos, 21.938 de anfetaminas e 10.525 de maconha.

O número de substâncias encontradas supera o total de exames positivos porque um único teste pode identificar diferentes metabólitos associados à mesma droga.

Remédio para emagrecer pode reprovar no exame?

Sim. O principal medicamento citado por especialistas é o mazindol, usado como inibidor de apetite. A substância possui efeito estimulante e estrutura semelhante à das anfetaminas, motivo pelo qual integra a lista monitorada pelo Contran e pela Senatran.

Mesmo com prescrição médica, o exame pode ser considerado positivo caso o composto seja identificado.

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